Tags

, , , , , ,

Reprodução: Gazeta do Povo/Curitiba PR

Neste ano, em que o país enfrentou dificuldades de toda envergadura e em setores os mais variados, o Natal chegou de forma antecipada para alguns segmentos da sociedade, embora tal fato não signifique surpresa maior, afinal, os privilegiados de sempre é que foram contemplados com as benesses cujo benfeitor não é o Papai Noel, mas, sim, o contribuinte brasileiro. Este, para fazer jus à sua sina, deveria ter feito “comemorações” na véspera do Natal, no Dia do Órfão.

Os “presentes” natalinos de 2018, com viés para comemoração das saturnálias do antigo império romano, começaram a ser distribuídos para pôr fim ao injustificável auxílio moradia pago a membros do Judiciário, uma bagatela de pouco mais de 4 mil reais, valor que, para o homem comum, o trabalhador, já se constitui em um bom salário.

Assim, para acabar – mas nem tanto – com essa mordomia, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovaram reajuste superior a 16%, com as repercussões de praxe pelo Brasil afora. Porém, o auxílio moradia agora é presente de Ano Novo: já de volta com nova roupagem, para, dizem, evitar uso indevido da verba.

No Amazonas, a Assembleia Legislativa do Estado tomou as providências para presentear os Natal de parlamentares, governador, ex-governadores e secretários estaduais. Assim, deputados que vão ganhar cerca de 29 mil reais por mês, governador 28 mil reais, secretários pouco menos de 25 mil reais. Assim caminham os políticos…

Evidente que ex-governadores se habilitaram à farra com o suado dinheiro do contribuinte. Para estes, que somam quase meia dúzia, foram reservadas outras mordomias, além daquelas que já desfrutam, incluindo aparato de segurança e mais assessores, todos pagos pelo contribuinte.

Presentes natalinos à parte, Manaus teve, neste ano, a infelicidade de ser palco de uma tragédia que poderia ter sido muito pior, caso tivesse acontecido em horário mais tardio, que foi o incêndio de cerca de 500 moradias no bairro Educandos, zona Sul. O local, como se sabe, é habitado por pessoas de poucos recursos que constroem suas casas como podem, com poucos recursos disponíveis, utilizando madeira como matéria-prima principal.

O número de desabrigados é superior a duas mil pessoas, para as quais o que não faltou foi a solidariedade do manauara com doações de roupas, calçados, alimentos e utilidades domésticas oferecidas por loja tradicional, como é o caso da Bemol que demonstrou, com atos, que suas políticas explícitas não são apenas registro em uma página da internet, mas se traduzem em atos como aqueles que contemplaram as pessoas que tudo perderam no incêndio.

Enquanto pelo lado bom da força se tem esse tipo de atitude, pelo lado mau aparecem os aproveitadores que buscam se beneficiar não só das doações feitas para ajudar as famílias atingidas pelo incêndio, mas até se imiscuindo no cadastro para obter moradia em programas da Prefeitura de Manaus e do governo estadual. Para esses o presente é cadeia.

Mas nem só esses querem surfar na onda de solidariedade para ajudar aquelas famílias. Uma olhada nas redes sociais de políticos locais e se encontra uma porção publicando fotos e vídeos no local do incêndio para mostrar sua “contribuição”, que no mais das vezes não passa de alguns momentos em visita ao local do incêndio. De concreto, mesmo, nem as fotos, agora todas digitais.

Mas somos humanos, erramos e, às vezes, até perdoamos aqueles que nos ofendem, como bem prega a oração do Pai Nosso. Assim: Bom Natal!

Anúncios