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O triste da situação é o fato de o movimento paredista ilegal ter prejudicado os usuários do sistema que chegaram atrasados a seus compromissos

Dizem que na briga do mar com o rochedo quem leva a pior é o marisco, o qual, diga-se, nada tem a ver com luta entre os dois elementos da natureza. É isto, mais ou menos, o que ocorre em Manaus há bastante tempo, em relação às cada vez mais frequentes paralisações do transporte coletivo público da cidade, usado como instrumento de pressão pela classe dos rodoviários.

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Nesta segunda-feira, 24, quem serviu de marisco foram os trabalhadores que moram na Zona Norte da cidade com a paralisação dos ônibus da empresa Líder, retidos na garagem por cerca de duas horas, no início da manhã, para pressionar a organização, dizem os rodoviários, a pagar horas extras e outros benefícios financeiros a seus funcionários.

O triste da situação é o fato de o movimento paredista ilegal ter prejudicado os usuários do sistema que chegaram atrasados a seus compromissos e ficaram no prejuízo, quer pelo desconto de horas de atraso ou mesmo por perderem o dia de trabalho.

Quanto à ineficácia desse tipo de paralisação para obter o cumprimento de obrigações trabalhistas está mais do que comprovado, pois se esses movimentos fizessem alguma diferença para as empresas, estas não seriam reincidentes e observariam as normas legais que devem cumprir.

Em outras palavras, se há, realmente, o cometimento de ilícito trabalhista por parte de algumas organizações concessionárias do transporte público, das duas uma: ou os órgãos fiscalizadores não exercem suas prerrogativas para coibir as más práticas que prejudicam os rodoviários ou os argumentos usados para realizar paralisações são falsos.

O mais estranho, porém, é o fato de aqueles que falam em nome dos profissionais rodoviários do transporte coletivo público urbano também não se entenderem, como bem exemplificam as falas do vereador Jaildo dos Rodoviários (PCdoB), em texto distribuído nesta segunda-feira. O vereador afirma que a paralisação se deu em protesto ao assédio moral, às suspensões e “as justas causas” (dispensas por?).

Por outro lado, o vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Josildo Oliveira, que alega nada saber sobre a paralisação, afirma que o movimento dos trabalhadores nos ônibus da Líder pode ter ocorrido pelo não pagamento de horas extras e de jornada com acréscimo nos feriados.

Enquanto o sindicalista alega ignorância sobre o movimento e o vereador quer a fiscalização municipal às quatro da manhã na porta das garagens, cerca de 20 mil pessoas foram prejudicadas e devem estar preparadas para, na sexta-feira, 28, enfrentar outro movimento paredista dos rodoviários, os quais podem aderir à greve geral prevista para aquele dia em manifestação contra a reforma da Previdência.

À falta de providências por parte do poder público, e não só do município, assim como também do Ministério do Trabalho e Emprego, os mariscos do asfalto continuam a enfrentar o transporte em ônibus lotados, sujos, e que nem sempre cumprem os horários estabelecidos, além de, com frequência, deixarem seus usuários na rua por pane mecânica. Tem jeito? Parece que no curto prazo, não.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 24/04/2017

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