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A campanha eleitoral onde políticos disputam a cadeira de prefeito de Manaus anda quente na cidade, nas redes sociais, além da TV e rádio, mas as propostas são escassas, repetitivas e, à primeira vista, na maioria dos casos, o candidato a prefeito “esquece” de um detalhe muito importante: explicar como vai fazer aquilo que está prometendo aos eleitores durante a campanha.

Se no campo das promessas os fatos se casam com as expectativas, isto é, não há praticamente nada de novo sob a luz dos refletores da TV ou nas ondas de rádio, o comportamento de alguns postulantes a ser o dirigente máximo da cidade também imita campanhas passadas, onde acusações sem comprovação são feitas em um jogo de cena para impressionar incautos e o eleitor desinformado.

Desse tipo de candidato, o mínimo que se pode dizer é que apela para a demagogia, que é, ao longo da história ocidental, a arte de conduzir o povo, mesmo utilizando de artifícios e subterfúgios para enganar o cidadão

No mesmo ritmo estão os candidatos que apresentam o atual prefeito de Manaus e seus antecessores, mais ou menos no “estilo Lula da Silva”, para quem nada foi feito e algo, se o foi, não presta, é danoso e não beneficia a população. É a lenga-lenga do “nunca antes neste país”, no caso, em Manaus.

Tais posturas de candidatos fazem lembrar lendas amazônicas como a do Matinta-Perera, também conhecido como Saci-Pererê, que à noite incomoda os vilarejos com seu assobio e não deixa ninguém dormir até que lhe deem ou prometam dar fumo, tabaco, já que a criatura é fumante inveterada. Qualquer semelhança com esta época pré-eleição de 2 de outubro não é coincidência.

Mas existem candidatos que preferem algo mais glamoroso – não é o caso que se viu na semana passada, quando a cara-de-pau levou um a carregar água em baldes na periferia da cidade, enquanto um outro foi “passear” de ônibus para demonstrar a precariedade do sistema de transporte coletivo urbano, da qual, aliás, ninguém duvida.

Desse tipo de candidato, o mínimo que se pode dizer é que apela para a demagogia, que é, ao longo da história ocidental, a arte de conduzir o povo, mesmo utilizando de artifícios e subterfúgios para enganar o cidadão, seja fazendo promessas inexequíveis ou deixando de cumprir as exequíveis, uma vez que pesa mais, para tais políticos, alcançar e permanecer no poder.

A estes a lenda mais apropriada para descrevê-los é do boto-cor-de-rosa, animal que, no período da lua cheia ou nas festas juninas, se transforma em um belo rapaz para atrair e seduzir donzelas. As que caem em sua lábia, diz a lenda, engravidam de um bebê… boto.

Vaidade e gente cheia de orgulho não falta nesta campanha, seja a vaidade de achar saber tudo ou o orgulho de pensar ser o único iluminado a ter capacidade para administrar Manaus e tornar o dia-a-dia dos manauaras menos estressante e com mais qualidade de vida. Mas o candidato com essas “qualificações” pode ser identificado com a lenda do Pirarucu, guerreiro vaidoso e orgulhoso, filho de um cacique, que oprimia seus irmãos na ausência do pai e foi atingido por um raio, por desígnio de Tupã, transformando-o no saboroso peixe amazônico.

No nível atual da campanha, os políticos mais confundem do que esclarecem (algo novo por aí?). Quando algum candidato diz, por exemplo, que vai oferecer aulas particulares de reforço aos alunos do município, enquanto outro prefere garantir a segurança da cidade e um terceiro, se eleito, se diz disposto a consultar o povo para saber onde investir o dinheiro público.

Por aí dá para sentir que não há, aparentemente, intenção de resolver os problemas urbanos, melhorar o que pode ser melhorado, mas apenas mostrar que é o melhor candidato. Como diz o ditado, falar é fácil, difícil é fazer.

Ao eleitor cabe a pior das tarefas: descobrir, entre oito candidatos, quem pode fazer gestão melhor que o atual prefeito, o qual, aliás, anda muito calado.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 13/09/2016

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