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Em 2015, o Programme for International Student Assessment (Pisa) – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – avaliou 65 países, incluindo o Brasil, que participou com mais de 30 mil estudantes com até 15 anos de idade e que já haviam terminado o Ensino Fundamental. As conclusões desse estudo e de outras fontes não deixam dúvidas sobre como o Brasil vem cuidando – ou descuidando – da educação nos últimos tempos.

A posição ocupada pelo Brasil na avaliação Pisa, por si só já diz muito sobre a quantas anda a educação dos jovens brasileiros. O país ficou em 53º lugar entre os 65 países que participaram da avaliação.

O resultado é que 34% dos jovens estudantes que chegam à quinta série do Fundamental não conseguem ler, outros 20% conseguem a proeza de concluir o Ensino Fundamental sem, no entanto, dominar a leitura ou a escrita, mas nos últimos anos havia um governo a dizer que o Brasil se tornara a “Pátria Educadora”.

O pouco caso com que a educação é tratada no país espelha o descompromisso com o futuro das novas gerações e ao, comprometer o preparo educacional dos jovens, determina também o atraso do Brasil em obter produtividade e competitividade com sua força de trabalho nos próximos anos.

É justamente aí que estudos como o efetivado pelo Fórum Econômico Mundial mostram porque o Brasil perde feio na comparação com outros países, mesmo aqueles localizados na América Latina, apesar de sermos a maior economia da região.

No Índice de Capital Humano, levantado pelo Fórum Econômico Mundial entre 130 países, o Brasil aparece como o 83º colocado, atrás do Uruguai (60º), Colômbia (64º), México (65º), Bolívia (77º) e do Paraguai (82º). Sintomaticamente, o Brasil fica à frente da Venezuela (89º).

A definição de capital humano especifica que é o conjunto de capacidades, conhecimentos, competências e outros atributos, inclusive de personalidade, que facilitam o trabalho para produzir valor econômico. Quer dizer, no cerne do capital humano está a educação, a qual, no Brasil, está começando muito mau, prejudicando o desenvolvimento que a experiência e a perícia iriam dar à mão de obra, principalmente quando se sabe que a qualificação do trabalhador brasileiro ainda não atingiu o nível ideal.

É no mercado de trabalho que a ausência do capital humano vai se cristalizar quando o trabalhador, por falta de qualificação, não consegue obter um posto de trabalho, enquanto as organizações, mesmo se dispondo a contratar, não conseguem encontrar candidatos que preencham os pré-requisitos mínimos para determinada função.

O resultado de tal conjuntura é trazer capital humano de onde eles estão, de países como Finlândia, primeiro colocado no estudo desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial, Noruega, Suíça e do Japão, como se pode conferir, neste último caso, nas empresas que mantêm operações no Polo Industrial de Manaus (PIM).

O Brasil, que vive um momento de inflexão a partir do qual se espera que políticas públicas com objetivos voltados para o crescimento e desenvolvimento nacionais sejam implantadas, não pode mais se dar ao luxo de cultivar um modelo de educação voltado para gerar estatísticas, quando procedimentos, nas salas de aulas, levam à aprovação de estudantes que não aprendem nem a ler, quando mais a escrever.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 19 e 20/07/2016

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