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Em tempos de crise, notícias boas sempre são bem-vindas, principalmente quando oferecem instrumentos para melhorar o ambiente de negócios, a assepsia na administração pública e também dar mais qualidade de vida para a população, isso tudo sem aumentar impostos.

Iniciativa que andou parada por cerca dez anos, o Micro Distrito Industrial (Dimicro) foi inaugurado pela Prefeitura de Manaus, na última sexta-feira, dia 1º de julho. A estrutura, destinada a abrigar indústrias de micro e pequeno portes que faturem até R$ 2,4 milhões, vai dispor de 48 galpões em instalações situadas no ramal do Brasileirinho, na zona Leste de Manaus.

No entanto, ainda está em fase de triagem as empresas que deverão se instalar no Dimicro. Para aquelas que conseguirem área no local, destinado apenas a indústrias, as vantagens começam com a proximidade das indústrias estabelecidas no Distrito Industrial e que gozam de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, mas também oferece oportunidade de liberar espaços ocupados por essas pequenas indústrias em áreas residenciais da cidade.

Com toda a infraestrutura que o Dimicro vai disponibilizar às micro e pequenas indústrias, o início é que pode ser meio difícil, de vez que fazer a mudança para o local vai impor gastos em um momento em que o faturamento não é dos melhores para grandes ou pequenos negócios.

Nesse aspecto, porém, a boa notícia é que analistas econômicos já veem, se não indícios de recuperação da economia, pelo menos os indicadores por eles monitorados já demonstram que o fundo do poço já foi atingido ou está bem próximo. Em outras palavras, a retomada pode estar bem ali na virada de 2016 para 2017.

Já a Lei de Responsabilidade das Estatais, sancionada na semana passada pelo presidente interino Michel Miguel Temer, se por um lado vai dificultar a entrega dessas organizações para quem não está devidamente habilitado, inclusive com experiência na área onde deva atuar, por outro, deixa brechas que facilitam as indicações de apadrinhados.

Com um universo de cerca de 2 mil cargos de chefia e assessoramento, as estatais brasileiras têm 223.171 funções gratificadas, das quais mais de 211 mil estão nas dez maiores estatais do país. Em outras palavras, 95% desse “filé” estão localizados em companhias como Itaipu Binacional, Eletrobras, Petrobras, Correios, Banco do Brasil, CEF e por aí vai.

Com todo esse contingente para indicar, a nova lei deixou brecha para que os padrinhos políticos mantenham suas indicações, desde que o apadrinhado preencha os requisitos da lei. Menos ruim, já que o ideal está longe de ser alcançado.

Como se vê, nem os donos de pequenas indústrias que trabalham em Manaus vão resolver seus problemas quando obtiverem instalações no Dimicro, apesar de poderem melhorar sua operação nas novas instalações, e muito menos o Brasil vai conseguir, assim, tão rápido, mudar hábitos como apadrinhamento político, de um momento para outro, mas, pelo menos, já existe um começo, uma semente com potencial para mudar essas práticas.

Texto produzido em 04/07/2016

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 12 e 13/07/2016

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