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Pesquisa sobre hábito de leitura de livros efetivada em 2011 pelo Ibope Inteligência sob encomenda do Instituto Pró-Livro (IPL), a terceira iniciativa do IPL e a segunda levada a campo pelo Ibope, dão indicações pouco alvissareiras acerca do universo de leitores no país, a “Pátria Educadora”.

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A constatação, infelizmente, era esperada, no entanto, é preocupante pelas consequências que a falta do hábito de leitura pode trazer ao indivíduo como pessoa, como cidadão e para o país, por não poder criar massa crítica com maior conteúdo entre sua população, como já aconselhava Monteiro Lobato ao afirmar: “Um país se faz com homens e livros.”

De outro lado, pesquisa mais recente, de 2015, efetivada pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro, considerando o ano de 2013, traz uma boa notícia: entre os brasileiros pesquisados, a leitura de livros como atividade cultural ocupa pelo menos 35% dos entrevistados, enquanto o cinema fica com 28% e shows musicais fazem a cabeça de 22%. O porém dessas constatações é que assistir TV não foi considerado como atividade cultural.

“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”

 

Outras atividades culturais como ir ao teatro tem 11% de preferência; exposições de arte 8% e espetáculos de dança ficam com 7%.

Voltando ao universo dos livros e à pesquisa do IPL, cerca de 50% da população brasileira, no ano em que foi feita a terceira pesquisa, constituíam o universo de leitores do país. Esse contingente pode parecer grande, é é. Mas, a má notícia é que, na segunda mostra, efetivada em 2007, o universo dos brasileiros que se declararam leitores era de 55%, conforme a pesquisa.

A velha discussão sobre o que impede o brasileiro de ler e, na maior parte das vezes atribuído ao alto preço dos livros, conforme a pesquisa, não se sustenta, pois esse fator – poder de compra – fica na 13ª posição entre as razões pelas quais o brasileiro deixa de pegar um livro para ler.

A primeira alegação para não ler é mesmo a falta de interesse pela leitura, declarada por 78% dos entrevistados, seguida de 50% informada por aqueles que dizem não ter tempo.

Em um mundo globalizado, com meios de comunicação que o tornaram uma aldeia global, como já predizia Marshall McLuhan lá pelos anos 1960, quando os maiores fenômenos de mídia eram a TV e o rádio, além, obviamente, da telefonia a unir as diversas partes do planeta, as mídias eletrônicas atuais são fortes concorrentes dos livros, como bem exemplifica a pesquisa do IPL.

Por ali, do universo de entrevistados, 85% preferem assistir TV quando têm tempo livre, enquanto outros 52% preferem ouvir música ou rádio. A opção de pegar um livro é a 7ª, com 28% de preferência.

Assim, não é de estranhar que a pesquisa da Fecomércio/RJ tenha flagrado o fato de que sete, entre dez brasileiros, não leram nenhum livro no ano anterior à pesquisa. Lamentável, mesmo quando se sabe que, nas palavras do padre Antonio Vieira “O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.”

Apesar disso, Manaus perde uma de suas boas livrarias neste mês de novembro com o fechamento da Valer e, como registro, posso afirmar que vi, no último domingo, a Livraria Valer fazer sua promoção anual e encher a casa com leitores e compradores de livros. Infelizmente, ao que consta, pela última vez.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 10/11/2015
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