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Quase acredito no discurso da presidente Dilma Rousseff lá no interior do Ceará, em Caucaia, para ser mais exato. O local parece ter sido escolhido a dedo pela assessoria presidencial, a qual, agora já se sabe, também parece querer ver a presidente de costas.

O município cearense onde a presidente resolveu se pronunciar à nação e avisar que o país vai vencer a crise “sem um nadinha de ódio e de amargura” tem 1.227 quilômetros quadrados e nasceu, oficialmente, em 1759. Dilma Rousseff ganhou aplausos por lá: foi inaugurar um conjunto habitacional para o município da região metropolitana de Fortaleza que tem cerca de 350 mil habitantes.

Vivemos tempos nos quais o respeito fugiu não se sabe para onde e, aquele gesto de antigamente, do filho pedindo a bênção do pai ou da mãe se perdeu também

Mas, voltando à assessoria que parece querer ver Dilma fora do Planalto e sem nenhuma reserva contra o município cearense, vejamos a palavra Caucaia. Será que houve um desejo implícito para que a presidente caia fora do Palácio do Planalto? Além disso, tem a sílaba inicial do nome: cau, logo vira cal. Quer dizer, cai fora e passa uma demão de cal nisso tudo? Pois é, com tanta coisa ruim nesse governo, teriam que ser várias demãos de cal…Porém, Caucaia, em língua indígena, quer dizer mato queimado, ou simplesmente, queimado. Faz sentido.

Por outro lado, para quem acha que exagero ao dizer que a assessoria presidencial não quer saber da presidente, basta assistir o vídeo da cerimônia no Palácio do Planalto, na quinta-feira, 27, quando, após ser anunciada pelo cerimonial da casa, Dilma Rousseff foi barrada por um dos integrantes da equipe que organizava o evento. Ninguém teve cerimônia com a “presidenta”: foi barrada em sua casa e nem era “aquela” festa.

Vivemos tempos nos quais o respeito fugiu não se sabe para onde e, aquele gesto de antigamente, do filho pedindo a bênção do pai ou da mãe se perdeu também. A presidente, bem ou mal, é a presidente do Brasil, e nem assim ficou isenta de ser barrada por um auxiliar. Como diria seu mentor e conselheiro, Luiz Inácio Lula da Silva, “nunca antes na história deste país…” E, nesse caso, não seria o desconhecimento da história do país.

Ao contrário do que pensa a escritora Lya Luft, para quem o país se repete e os fatos criam uma sensação de déjà vu, de terem sido vistos em outra ocasião, o Brasil não se repete, não tanto. Por exemplo, até a semana passada, era pouco provável que o ex-presidente Lula da Silva, supostamente garoto-propaganda de uma das empreiteiras mais enroladas na operação Lava-Jato, fosse constrangido a depor.

Mas, pelo que informa a revista semanal do grupo empresarial Globo, o ex-presidente pode estar, em alguma instância, envolvido em tráfico de influência internacional. E aí, de novo, o refrão criado pelo próprio, tem toda razão de ser utilizado, uma vez que “nunca antes na história deste país” tal fato aconteceu.

No entanto, retomando pronunciamentos presidenciais feitos na semana passada, se a escritora Lya Luft se engana quanto à sensação de déjà vu, a presidente se entregou ao dizer que, durante a campanha eleitoral de 2014 não havia como saber que a crise seria tão forte no Brasil.

Fica no ar questão das mais complexas: por que a presidente não sabia? Afinal, pelo menos uma fonte antecipou tudo que está acontecendo no país.  Relatório da empresa Empiricus, intitulado “O Fim do Brasil” e assinado por Felipe Miranda, dava conta da situação e mostrava perspectivas pessimistas sobre a economia brasileira.Afinal, Aécio Neves cantou a pedra durante toda a campanha eleitoral e foi demonizado pela presidente.

A questão complexa que fica pendente é: Para que serve a Agência Brasileira de Inteligência (Abin)?

Pelo que diz a presidente, que não mente, nunca, jamais mentiu, a tal agência deve ser mais um órgão devidamente aparelhado por camaradas.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 01/09/2015

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