Tags

, , , ,

Os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), até  junho, apresentavam, na maior parte, números negativos à exceção da tabela que registra a evolução do dólar. Ali, em janeiro de 2015, a moeda norte-americana era cotada à razão de R$ 2,6442, enquanto no mês que fechou o primeiro semestre a cotação era de R$ 3,1117.

Quando o tema é a participação setorial no faturamento, os eletroeletrônicos continuam a liderar as vendas com 29,51%

Assim, a moeda brasileira foi depreciada em mais de 18% entre janeiro e junho de 2015, ou, se a perspectiva for pelo outro lado, o dólar se valorizou naquele percentual face ao real.
No tocante à produção do PIM, a crise econômica, política, e a consequente baixa na demanda, assim como a valorização do dólar, serviram para derrubar a importação de insumos pela indústria incentivada. Se em junho de 2014 já se registrara queda de 10,21%, com a importação de insumos no montante de US$ 6,27 bilhões, neste exercício as importações se limitaram a US$ 4,89 bilhões, despencando 21,96%.
Enquanto a importação de insumos está em queda, a compra, de modo geral, acompanha o ritmo, ou a falta de ritmo da produção. Com aquisições no valor de US$ 7,46 bilhões, a curva descendente acusou baixa de 23,25%, frente às compras de US$ 9,72 bilhões  em junho de 2014.
Embora as exportações do PIM não sejam o carro-forte de vendas, cabe fazer o registro da baixa no primeiro semestre de 2015, quando foram exportados US$ 290 milhões, com queda de 23,38%, a reforçar a baixa registrada em junho de 2014, de 6,81%, com vendas externas de US$ 379 milhões.
A ladeira das vendas, que em junho do ano passado apresentava um leve declive de 2,12%, com faturamento de US$ 17,98 bilhões, neste exercício teve a ajuda dos fatores enumerados nos primeiros parágrafos deste texto para, à semelhança de uma retroescavadeira, cavar um buraco de 29%, com vendas de US$ 12,79 bilhões no período.
Quando o tema é a participação setorial no faturamento, os eletroeletrônicos continuam a liderar as vendas com 29,51%, em seguida vem duas rodas, com 17,83%. Os bens de informática  ficam na terceira posição com 16,57% e, em quarta posição, o setor químico com 13,17%. Esses quatro setores são responsáveis pelo faturamento de US$ 9,86 bilhões, equivalentes a 77% dos US$ 12,79  bilhões faturados até junho de 2015.
Para quem acha que as más notícias terminaram, no entanto, talvez o pior seja o desempenho desses quatro setores de maior relevância entre as indústrias do PIM, uma vez que os quatro tiveram baixas de dois dígitos no seis meses do primeiro semestre de 2015.
Quem mais perdeu faturamento foram os eletroeletrônicos, com vendas de US$ 3,77 bilhões, face aos US$ 6,23 bilhões de 2014, o fosso aí equivale a perda de vendas de 40%, informam os indicadores da Suframa. Bens de informática faturaram US$ 2,12 bilhões, ante US$ 2,97 bilhões no primeiro semestre de 2014, com perdas de vendas equivalentes a 28,63%.
O segmento de duas rodas perdeu 21,17% do faturamento em seis meses, comparados ao mesmo período de 2014, com vendas de US$ 2,28 bilhões neste ano. Por fim, o setor químico faturou US$ 1,68 bilhão, com baixa de 18,63%, comparado aos US$ 2,07 bilhões no primeiro semestre de 2014.
Como se vê, a ladeira está em plena construção e não há, por enquanto, nenhuma evidência de que possa melhorar, principalmente quando se tem em vista as expectativas divulgadas em relação à inflação e outros indicadores que mostram pessimismo dos analistas quanto ao desempenho da economia.
Nesta segunda-feira, 28,  a Suframa divulgou os números relativos ao mês de julho, os quais, grosso modo, mantêm as mesmas tendências de baixa, de ladeira abaixo na indústria incentivada de Manaus.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 29/09/2015

 

Anúncios