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Enquanto o clima esquenta em Brasília desde quando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o clima nas ruas parece ter arrefecido e a primeira grande manifestação ocorrida após o início da tramitação do impeachment ficou abaixo da expectativa dos organizadores no último domingo, dia 13.

De outro lado, o julgamento tende mais para o lado político que jurídico, e aí os fatores que pesam contra a presidente podem ser aferidos nas páginas de jornais

No entanto, se as ruas, que já foram dos caras-pintadas quando Color Mello periclitava no poder e de onde findou por ser derrubado via impeachment, mesmo após ter apresentado pedido de renúncia, já não mostram a ênfase dos primeiros movimentos a favor da saída de Dilma Rousseff do governo, as causas, motivos e fatos que podem justificá-la não param de crescer.

Assinado por juristas do primeiro time – Miguel Reale Júnior, Hélio Pereira Bicudo e Janaina Conceição Paschoal – o pedido se fundamenta no que a imprensa trata como “pedaladas fiscais” da presidente Dilma Roussef, onde a principal má prática administrativa é liquidar obrigações financeiras da União com a utilização de recursos de bancos estatais como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, assim como também do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS).

Se os defensores da presidente não veem nada de ilegal ou anormal nessa prática, que já vem acontecendo pelo menos desde 2013, os juristas, um dos quais foi fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), sabem muito o terreno onde pisam e, principalmente, que tipo de liga usar para construir alicerces sólidos em sua representação à Procuradoria Geral da República (PGR) com a finalidade de obter o impeachment presidencial.

De outro lado, o julgamento tende mais para o lado político que jurídico, e aí os fatores que pesam contra a presidente podem ser aferidos nas páginas de jornais, revistas, informativos jornalísticos de TV, rádio e internet. Por essa via, não vai faltar motivo a justificar o impedimento de Dilma Vana Rousseff.

Um desses motivos está na queda do poder de compra dos brasileiros, decorrência justamente da má gestão da petista cujas gastos excessivos na administração pública jogaram a moeda para baixo com a escalada da inflação, a qual, nos últimos 12 meses, até novembro, atingiu a marca de dois dígitos: 10,48%, com o agravante de que o mês passado, com inflação de 1,01%, foi o pior desde quando Lula da Silva venceu a eleição em 2002.

O bolso, ou quem sabe, os cofres das empresas, é outro local onde a dor infligida pela gestão petista tem se mostrado singularmente sensível e aí pesam mais as indefinições que a crise no mais alto escalão da República trazem, inibindo novos investimentos, reduzindo a atividade econômica e por fim, detonando empregos.

Nesse quesito, aqui pelo Amazonas, até o mês de outubro, a foice do desemprego já extinguiu mais de 30 mil vagas, enquanto pelo Brasil afora, de acordo com dados do Caged referentes a outubro, no acumulado dos últimos 12 meses, o país fechou 1.381.992 vagas.

Não bastassem esses dados negativos na economia, a corrupção está presente e se apresenta a cada nova etapa da operação “Lava Jato”, que já passou da vigésima fase. Em setores fundamentais como saúde, educação e segurança, o país enfrenta a falta recursos para fazer investimentos ou mesmo custear gastos fixos como reposição de medicamentos.

As ruas podem não dar o tom de indisposição da população com o governo atual em números de cidadãos que comparecem às manifestação, mesmo assim não se pode prever que a presidente possa estar fora do risco de perder o mandato via impeachment, até pelo horizonte nebuloso pintado por analistas econômicos à luz da conjuntura brasileira.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 15/12/2015

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