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Depois de dois meses de calor intenso em Manaus, as chuvas de novembro chegaram regando plantas e gentes. Não faltaram comemorações, pelo menos nas redes sociais, aonde internautas postaram fotos da chuva  que viam e das que nem conseguiam enxergar, além de até tomar banho da dita cuja.

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Os igarapés, que a vazante do rio Negro, ao atingir pouco menos de 16 m acima do nível do mar, deixou seus leitos à mostra, re velando também a nossa falta de cultura e zelo pela cidade com o rastro de resíduos e lixo que ali acumularam, produto do descarte irresponsável não só de quem mora à margem dos cursos d’água, assim como daqueles que não hesitam em jogar no meio da rua qualquer coisa já usada.

Só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70

A malha de igarapés da cidade, que continua a ser aterrada desde a época do governador Eduardo Ribeiro, se constitui em recipiente pas sivo de lixo, resíduos da indústria e tudo o mais que perde utilidade, sem que manauaras tomem para si a responsabilidade de evitar a poluição desses corpos de água.

No entanto, voltemos à chuva que, além de diminuir um pouco o calor manauense, torna verde, em tempo recorde, os canteiros de avenidas, praças e parques, além de outros logradouros públicos, ou nem tanto, como as várzeas de igarapés e do rio Negro. O capim, o mato, as ervas que aí rapidamente brotam alegram os olhos de quem transita nesses locais

A temporada de chuvas em Manaus, porém, tem lá seus desencantos quando interferem no andamento de obras públicas ou privadas, atrasando-as, paralisando-as ocasionalmente ou por tempo maior, dependendo do ritmo da chuva.

Na avenida Eduardo Ribeiro, que teve a parte onde o relógio municipal está instalado parcialmente interditada e as obras que deveriam ser efetivadas naquela região embargada s por órgão de preservação do patrimônio histórico, agora tem mais uma parte interditada para revitalização.

O projeto de revitalização e restauração quer trazer de volta o visual daquela avenida das décadas de 1920/30. É uma boa ideia, mas se conseguir tra zer pelo menos o que a Eduardo Ribeiro tinha nos idos de 1960 já dá para comemorar, pois não é pouca coisa ter calçadas largas à disposição do passante, recoberta por sombra de benjamins.

Evidente que não se quer voltar ao passado, mesmo que o DeLorean do filme de “Volta para o Futuro” estivesse disponível. Já pensou, com o trânsito atual ter aquele sinal de trânsito, primeiro semáforo instalado em Manaus, no Canto do Quintela, ali no cruzamento das avenidas 7 de Setembro com a Joaquim Nabuco. E quando digo no cruzamento é no meio da via, mesmo. Não vai dar.

A chuva também tornou mais visível o verde da avenida Djalma Batista. Na Djalma?! Alguém vai perguntar e respondo: ali mesmo. As mudas plantadas no canteiro central, já na gestão do atual pr efeito, estão com dois, três metros de altura. Não mais parecem mudas, mas árvores jovens e adultas, umas com mais outras com menos sombra, a arrefecer o calor manauense, marca registrada da cidade.

Assim, se as obras podem parar com as chuvas, o verde, as plantas nas vias públicas, parques ou quintais, agradecem à natureza a volta da estação chuvosa, quando o rio Negro fica mais bonito ainda. E aí, só Quintino Cunha para nos contar e cantar toda a beleza dos dois rios que se cruzam em Manaus, embora o talento do parintinense Chico da Silva, sem pavulagem nenhuma, também saiba muito da Manaus dos anos 1960/70.

 

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 17/11/2015

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