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A Endeavor Brasil divulgou, na semana passada, a segunda edição do Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), desta vez com maior número de cidades pesquisadas que, na edição de 2014, listou e classificou 14 cidades, enquanto na edição de 2015, passaram a figurar 32 cidades. O estudo visa detectar cidades onde existem as melhores condições para o empreendedorismo se estabelecer. Manaus apareceu nas duas edições.

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Na edição de 2014, Manaus se classificou em 10ª lugar entre 14 cidades, na edição de 2015, a cidade está na 26ª posição, em companhia da capital do maranhão, São Luís, e à frente apenas de Cuiabá, Belém, Fortaleza, Maceió e Teresina. Na região Norte, apenas Manaus e Belém foram incluídas na pesquisa da Endeavor.

Financiamentos via venture capital ou private equity, informa a publicação da Endeavor, simplesmente não são opções com as quais empreendedores de Manaus possam contar

Os fatores estimados, chamados de pilares pela publicação, são sete e buscaram avaliar a situação, nesses locais, do seguinte: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura de empreendedor.
A melhor avaliação de Manaus, na edição de 2015, foi no pilar mercado, vindo em seguido a cultura. A liderança do ranking ficou com São Paulo e a melhor cidade avaliada em 2014, Florianópolis, na edição atual se posicionou como 2ª colocada.
Em Manaus, de acordo com o estudo, 77% das pessoas entrevistadas afirmaram que o empreendedor ocupa posição respeitada e reconhecida. A constatação leva à classificação da cidade no ranking da Endeavor sobre cultura empreendedora, onde Manaus fica em 6º lugar.
Já o fator mercado, onde a capital baré  ocupa a segunda posição, é reconhecido pelo potencial de clientes que podem ser atingidos pelas empresas, mas também considera os negócios com o governo, o B2Gov, assim como o B2B, dadas as condições da economia manauense com contingente de cerca de 500 grandes empresas instaladas em seu polo de indústrias incentivadas.
No entanto, nem tudo são flores no ranking da Endeavor, assim, os problemas que atrasam o crescimento econômico de maneira geral em Manaus, vão aparecer na pesquisa voltada para identificar oportunidades de negócios para empreendedores, como é o caso da infraestrutura e da dificuldade em obter mão de obra qualificada. Nesse quesito – capital humano – Manaus figura na lanterna do ranking, em 32º lugar.
No item infraestrutura, além das distâncias que separam Manaus dos demais centros consumidores, existem outras agravantes. A capital do Amazonas, informa o estudo, está a 121 mil quilômetros (soma das distâncias) dos outros municípios, enquanto Belém tem um somatório bem melhor, de 81 mil quilômetros. Nas demais cidades pesquisadas a média é inferior a 50 mil quilômetros.
Tão grave quanto os problemas decorrentes da falta de mão de obra e da infraestrutura precária em Manaus é a dificuldade para ter acesso a capital. Conforme a Endeavor, os bancos aplicam em Manaus, quando se compara a São Paulo, cerca de 10 vezes menos, em relação ao PIB, do que na capital paulista.
Financiamentos via venture capital ou private equity, informa a publicação da Endeavor, simplesmente não são opções com as quais empreendedores de Manaus possam contar.
O estudo, assim como o ranking ICE, pode ser ferramenta de peso para definir políticas públicas que tornem a vida de empreendedores e suas empresas mais produtivas, pois também prospecta dados sobre o custo dos tributos e da burocracia que minam a lucratividade e, às vezes, levam empreendimentos a encerrar atividades.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 08/12/2015

 

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