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Há um postulado na ciência econômica segundo o qual os recursos são escassos e as necessidades ilimitadas, enquanto, há pouco mais de dois séculos, um jovem economista inglês, então com 32 anos, percebeu que o crescimento da população acontece em progressão geométrica, mas a expansão dos meios de subsistência ocorre em progressão aritmética.

Escrito em 1798, o “Ensaio sobre a população” de Thomas Robert Malthus, descortina um panorama no qual o economista e sacerdote da Igreja Anglicana conclui que é impossível ao homem ser feliz nesta vida.

Escrita em um período no qual seu país estava em plena Revolução Industrial, a obra malthusiana está inserida em um contexto onde a população agrícola inicia a migração para as cidades, que oferecem oportunidade de trabalho nas indústrias nascentes, com as novas invenções a potencializar a criação de riqueza, quase nunca direcionada ao trabalhador.

A argumentação de Malthus é de que o crescimento da população, à sua época, era atenuada pela alta taxa de mortalidade, além de limitações aos nascimentos, como a miséria.

Desde então, a população mundial só cresceu, alavancada pelos progressos nas ciências, incluída a medicina, assim como pelas inovações tecnológicas que ampliaram sobremaneira a produção agrícola e a agroindústria. Se em 1800 a população da Terra chegou ao primeiro bilhão, no entanto, o mundo levou pouco mais de 200 anos para atingir a cifra de 7 bilhões de almas, em 2011.

Um levantamento do Banco Mundial com dados de 2007, informa que os 13 países mais populosos do planeta, China (1,32 bilhão de habitantes), Índia (1,13 bilhão) e os Estados Unidos (301 milhões) somam 39,3% da população mundial.

O que os diferencia é que a renda per capita nos EUA é de US$ 47.084, com taxa de crescimento populacional de 0,98%, enquanto na China a renda per capita equivale a US$ 4.393 e a população cresce à taxa de 0,47%. Na Índia a renda per capita é de US$ 1.477 e taxa de crescimento demográfico é de 1,41%.

Dos três, apenas os EUA é um país desenvolvido. A queda na taxa de natalidade na Índia é produto de política de controle dos nascimentos, enquanto na Índia a expansão dos nascimentos é responsável miséria em boa parte do país.

Um estudo publicado em 2013 pelo engenheiro mineiro José Olavo Mourão Alves Pinto, sob o título “O Direito de Bem Nascer” traça diagnóstico sobre as causas da pobreza e projeta o futuro não só do Brasil, mas do planeta, caso a população não seja estabilizada.

O Brasil, com 190 milhões de habitantes naquele ranking dos 13, aparece com renda per capita de US$ 10.710, taxa de natalidade de 1,20% e é o quinto colocado, atrás, além dos três países já citados, mais a Indonésia.

Com pouco menos de 10 milhões de habitantes em 1872, no primeiro censo realizado no país, em 1950 já éramos 52 milhões. Ao atingir 169,8 milhões de habitantes no ano 2000, a população brasileira cresceu, em 50 anos, 227%.

No país há cerca de 2,1 milhões de nascimentos por ano e uma política de planejamento familiar que ninguém conhece e onde isso só praticado pelos que têm maior nível de educação e renda, o Brasil vive uma epidemia de gravidez na adolescência, fato que contribui, nas palavras do médico Drauzio Varella, para o empobrecimento da família, uma vez que o nascimento de um bebê nessa idade tira a jovem da escola e empobrece a família.

Enquanto isso, políticas de inclusão social sem fiscalização da porta de saída para uma vida mais digna, como exigir e fiscalizar que os beneficiados aprendam um ofício e frequentem a escola, se tornam cabos eleitorais de quem dirige o Brasil.

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda 31/03/2015

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