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O velhinho está quase morto e, em estado terminal, vai partir sem deixar saudade nenhuma na área econômica do Brasil, pois, quando chegou, já veio com o anúncio de que não trazia nada de bom nesse departamento. A seu favor, 2014 pode alegar que não tem culpa de nada de ruim que aconteceu com a economia do país.

Em lugar de dividendos polpudos, a safra foi de escândalos acerca de somas vultosas que saíram dos cofres da petroleira

É verdade. O ônus cabe aos administradores que trocaram a oportunidade fazer investimentos em infraestrutura pelo país afora para manter uma política de incentivo ao consumo como forma de, aparentemente, gerar emprego e dar a impressão de que o país está caminhando, crescendo. Uma hora, é evidente, a coisa desanda.

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A inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, se medida no acumulado de 12 meses, ultrapassou o teto previsto em lei, que é de 6,5%, e atingiu 6,56%. Mas o ministro – que já se sabe demitido – avisa que o governo tomou providências para que a inflação retorne ao centro das metas previstas como piso e teto. O único detalhe é que no segundo mandato de Dilma Rousseff quem assume é Joaquim Levy aquilo que o ministro Mantega promete pode, ou não, ser cumprido.

Solução criativa, no entanto, é a que o núcleo econômico do governo petista encontrou para outro furo e legislação não cumprida pelo governo acerca do superávit primário. Como a lei responsabiliza o administrador público que descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e, depois que a gastança governamental atingiu níveis estratosféricos, fugindo dos limites previstos nos textos legais, o jeito foi ir ao Congresso Nacional e mudar a legislação com muita criatividade, mudar o nome das coisas e o que era gasto virou poupança.

Na política, para ficar com um único tema nacional, a estatal que era símbolo do poder brasileiro na área de petróleo, gás, energia, enfim, teve seus papéis transformados em fumaça pela implicação de ingerências ‘políticas’ em sua gestão. Com isso, as ações da Petrobras, que um dia o próprio governo incentivou o trabalhador a pegar seu FGTS e aplicar nesses papéis, viraram um mico e não foram poucos os trabalhadores que entraram pelo cano vítima da gestão escandalosa da petroleira estatal.

Em lugar de dividendos polpudos, a safra foi de escândalos acerca de somas vultosas que saíram dos cofres da petroleira para regar as contas de políticos que abusam das más práticas quando administram bens públicos.

Aqui pelo Amazonas é de se registrar a vitória, se não surpreendente pelo menos inesperada, do governador José Melo sobre seu oponente e senador Eduardo Braga. Este, porém, pode até se gabar de não ter ganho a eleição no Amazonas: com a indicação para o Ministério das Minas e Energia, vai ter um orçamento pelo menos cinco meses maior que o do Amazonas sob sua batuta em 2015.

Se o velhinho parte triste e melancólico, o ano que chega, como sempre, vem cheio de esperanças e traz, em sua bagagem para a viagem de 365 dias, a expectativa de que a vida dos brasileiros seja melhor do que em 2014, em que pese a expectativa da manutenção de políticas que, já se viu, findam por levar o Brasil a não crescer e, pior, deixar de gerar empregos.

Feliz Ano Novo!

Publicação no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 30/12/2014

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