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Os números divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) referente ao período de janeiro a julho deste ano se mostram positivos em vários aspectos, principalmente no que diz respeito ao faturamento das indústrias incentivadas e aos produtos carros-chefes, que comandam a expansão das vendas.

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Assim, nestes sete meses de 2014, as indústrias faturaram, conforme a Suframa, o montante de R$ 47,70 bilhões, valor que indica expansão nas vendas de 8,40% em relação a igual período do exercício de 2013, embora o desempenho, quando medido na moeda norte-americana seja de US$ 20.86 bilhões, com variação negativa de 2,22% em relação a 2013.

 A novidade, que não é das melhores, é a perda de postos de trabalho ocorrida neste ano, e que supera as 4.000 vagas.

Na avaliação da Suframa o setor de eletroeletrônicos continua a manter a liderança no faturamento, tendo este setor contabilizado, em sete meses, vendas de R$ 24,30 bilhões, o equivalente a mais de 50% do total do faturamento das empresas industriais do polo de Manaus. Em outras palavras, o setor de eletroeletrônicos, inclusive informática, é a locomotiva do modelo de incentivos praticados na Zona Franca de Manaus.

Os produtos que puxaram o faturamento nesse período foram aparelhos de TV com telas de plasma e de LCD, além dos tablets, cuja produção se expande em ritmo chinês, uma vez que nesse período o crescimento da produção desse equipamento cresceu 41,50%.

Por outro lado, no que diz respeito à mão de obra empregada pelas indústrias do PIM, conforme a Suframa, apresenta crescimento de 1,01% com 119.314 pessoas empregadas pelas indústrias.

Nesse quesito, o segmento de eletroeletrônicos garante participação de 41,70% da mão de obra empregada no PIM, com 49.744 postos de trabalho garantidos, os quais, junto com o setor de duas rodas, que emprega 17.994 pessoas, são responsáveis por 56,80% dos empregos na indústria incentivada.

Esses dois setores e mais termoplásticos, metalúrgico e mecânico somam 94.771 postos de trabalho no mês de julho, o equivalente a 79,42% do total da mão de obra empregada no PIM.

A concentração de mão de obra em poucos setores não é coisa nova no PIM, a novidade, que não é das melhores, é perda de postos de trabalho ocorrida neste ano, e que supera as 4.000 vagas.

Desde 2012, quando o Polo Industrial de Manaus perdeu 5.437 vagas em um universo de 120.288 postos mantidos, em média, naquele ano, 2014 está surpreendendo ao fechar, em sete meses, 4.087 postos de trabalho, quando, em 2013 o saldo positivo na geração de postos de trabalho na indústria incentivada foi de quase 7.000 vagas.

Em outras palavras, o que se tem é uma perda de postos de trabalho que não está sendo informada com transparência pela Suframa, uma vez que a comparação registrada no material divulgado na mídia é um crescimento relativo ao mês anterior, junho.

É de se questionar, assim, sobre os fatos que estão influenciando a perda de postos de trabalho no Polo Industrial de Manaus em níveis que se aproximam daquele atingido em decorrência da crise internacional acontecida em 2008, e que repercutiu no PIM em 2009, com a perda de 5.834 vagas na indústria local.

Publicado no Jornal do Commercio e Portal do Holanda em 23/09/2014

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