Para o titular da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e bacharel em direito Thomaz Nogueira, a indústria incentivada vive no melhor dos mundos. Tanto é assim que no último dia 12, ao divulgar os indicadores industriais relativos ao mês de março, Nogueira afirmou que nenhum país do mundo cresce à taxa de dois dígitos como os 15,43% atingidos pelas empresas industriais no mês de março deste ano.

No mesmo texto distribuído pela Suframa, no entanto, não é bem isso que se constata quando a medida é tomada tendo por base o dólar norte-americano, moeda que, até a chegada de Nogueira à administração da autarquia, era usada de forma bem mais enfática para divulgar o desempenho do PIM.  Por ali o que se tem é uma perda de faturamento de -1,61% em relação a março de 2013, fato que não chega a ser uma tragédia, sem deixar de mostrar, com maior crueza, a quantas anda o Polo Industrial de Manaus.

A favor do otimismo do super da Suframa, que deve cumprir seu papel de incentivador da indústria local, pode-se dizer que o carro-chefe do PIM continua em franco crescimento. Uma vez que o setor eletroeletrônico apresentou, em março, expansão nas vendas em 8,92%, enquanto os bens de informática chegaram a 7,17%.

Mas é no acumulado do trimestre que o bom humor de Thomaz Nogueira se dá bem, quando os eletroeletrônicos cresceram 9,92% e os bens de informática ultrapassaram qualquer comparação com a China dos velhos tempos ao crescer 23,67%.

No entanto, se smartphones, tablets e TVs estão com alta demanda, como indicam os resultados das vendas, não se pode afirmar o mesmo em relação a outros dois importantes setores industriais do polo industrial como duas rodas e químico.

O segmento de das rodas vem apresentando resultados negativos, no mês de março, há três anos consecutivos. Se em 2012 o segmento faturou US$ 740 milhões, no ano seguinte caiu para US$ 567 milhões e neste ano chegou a US$ 491 milhões. Nestes três anos, o setor acumula perdas de faturamento de 33,65%, conforme dados da Suframa. Só no mês de março deste ano, a baixa atingiu 13,40%, enquanto no trimestre chegou a -5,57%.

A boa notícia, quando se fala em duas rodas, é que a mão de obra se manteve estável entre março de 2013/2014, empregando 18 mil pessoas diretamente, embora não se possa fazer a mesma afirmação quando a análise recai sobre o rendimento dos trabalhadores. Se em 2013 salários, encargos e benefícios deste setor estava na faixa dos US$ 2.548, em média, neste ano caiu quase 10%, ficando em US$ 2.303. Considere-se, ainda, que duas rodas emprega mais de 14% da mão de obra do PIM.

Ao faturar US$ 359 milhões em março, o setor químico registra queda de 6,08% e, no acumulado do trimestre, amplia as perdas de vendas em -13,06%. A baixa neste segmento vem desde 2011, quando o faturamento de março foi de US$ 438 milhões, até atingir s US$ 359 milhões no terceiro mês deste ano.

As perdas acumuladas no período de quatro anos são de 18,04%. Na questão dos pagamentos de salários e benefícios, o setor químico, que emprega contingente bem menor que o de duas rodas, com o diferencial de remunerar melhor, também teve perda de 7,20% entre março de 2013/2014.

De repente o otimismo do super da Suframa está mais para as situações vividas no obra de João Ubaldo Ribeiro, com feitiçaria e tudo, em “O sorriso do lagarto”. Infelizmente.

Publicação no Jornal do Commercio, ed. 20/05/2014

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