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Até o início da noite de domingo, 11 e Dia das Mães, os brasileiros já tinham recolhido em impostos, neste ano, a importância de R$ 623,11 bilhões. Com 130 dias decorridos, isto dá a média de pagamento diário de R$ 4,80 bilhões. Trazendo para mais perto, significa que o brasileiro recolhe, em 24 horas, o equivalente ao orçamento do município de Manaus projetado para o exercício de 2015.

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Parece pouco? Com esse valor dá para construir uma ponte Rio Negro e mais cinco arenas da Amazônia, ou montar frota de 192.000 carros populares. É muito dinheiro que o governo recolhe.

No entanto, a ausência da consciência cidadã no sentido de cobrar benefícios para o país e para a população torna comum cenas como a da mãe, em um hospital público, depois de esperar horas para ver atendida sua criança, receber a receita, mas o remédio, que faz parte daqueles que a administração pública deveria distribuir, não existir. Ela vai ter que comprar com seu mirrado salário. Sem entender porque não tem o remédio, comenta: “É de graça, não tem, paciência, vou dar meu jeito.”

Um pouquinho mais de conscientização, em vez de propaganda e doutrinação, e ela saberia que o governo não dá nada, pelo simples fato de que nada tem. O governo administra, e muito mal, os recursos recolhidos, de forma compulsória, pelos cidadãos. Alertada para isso, a senhora com a criança chorando no colo, se limita a dizer que, para ela, tanto faz, pois “não paga imposto”. Pois é, este é o Brasil de hoje, ou talvez a senhora more em Marte.

Com essa cena na cabeça e um smartphone na mão, fui pesquisar a quantas anda o imposto embutido em alguns itens de consumo diário e comum à maioria da população e descobri que bebo mais imposto do que cerveja ou vinho. Melhor para eu que consumo mais a primeira, onde a carga de tributos é de módicos 49,19%.

Mas aí, no Dia das Mães, data superespecial, muita gente trocou a cerveja por um vinho. Esta opção acrescenta ao teor alcoólico de uma garrafa do português Periquita, que é 12,5%, mais vinte pontos percentuais de tributos em relação ao preço da cerveja nacional. A taxação do vinho importado é, em média, 69,51%, embora a etiqueta de preço diga que os impostos são de 53,51%.

Trocando em miúdos, mais de dois terços do preço de uma garrafa de vinho importado sai do bolso do consumidor para os cofres do governo. Ah, mas o vinho é uma bebida, é supérfluo, alguém pode questionar. Isto é, consome muito mais quem pode do quem quer. Faz sentido. Então, que tal atravessar a rua e entrar numa drogaria, só para voltar ao caso da senhora lá do início do texto.

A tributação média dos remédios no Brasil é de também módicos 26,75%, se precisar de remédio importado o peso dos tributos sobe para 31,50%.

Aquela senhora, lá do hospital que não paga imposto [de renda, com certeza] compra uma caixa de remédio para gripe por R$ 27 e recolhe, na hora, R$ 7,22 em impostos. É pouco? Dá quase três passagens de ônibus ou um quilo de pão francês.

Pior que os remédios é o caso dos livros. Se comprar um de cem páginas, 31 delas correspondem à garfada dos impostos (31,45% do preço) que se paga ao governo. Mesmo assim, as escolas públicas têm que passar uma obra didática de um aluno para outro em anos sucessivos.

Mas o Periquita estava ótimo, apesar do sabor tributário de dois terços do preço. Salute!

Publicação no Jornal do Commercio, ed. 13/05/2014

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