Tags

, , , , ,

No último domingo, dia 23 de fevereiro, quem foi ao centro de Manaus teve duas surpresas mesmo anunciadas, como o vem fazendo a Prefeitura de Manaus a respeito da remoção dos camelôs do centro.

Realizada todos domingos, entre as 8h e 14h pela Associação de Feiras de Artesanato e Produtos do Amazonas dos Artesões da Eduardo Ribeiro (Afapa), a feira de artesanato e de alimentos teve as atividades suspensas também no domingo, 23, a fim de dar mobilidade ao serviço de retirada de pelo menos 650 barracas de camelôs das ruas centrais de Manaus.

Se de um lado os frequentadores da feira não puderam desfrutar dos petiscos dominicais e eventuais turistas deixaram de conhecê-la, a cidade, no entanto, ganhou de presente um novo visual com a realocação dos ambulantes-fixos que agora vão trabalhar em camelódromos localizados naquela mesma área, porém em galrias comerciais que a prefeitura vai disponibilizar aos comerciantes.

CentroLimpo

O processo de ocupação do espaço público das ruas e, principalmente, calçadas de Manaus ocorre há mais de 15 anos e nesse período só fez crescer e, como efeito colateral deixar as pessoas que transitam pelo Centro sem espaço para andar.

O motorista manauense, que já não tem muita paciência e vive estressado com o caótico trânsito de uma cidade enfrentado por frota superior a 500 mil veículos, disputava espaço com o pedestre, tem ainda que pagar a pseudoguardadores de carro para não ter o veículo danificado ou recorrer a estacionamentos que cobram mensalidade de apartamento para vaga de carro no Centro.

Falávamos, porém, do visual obtido pelas avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro e a possibilidade de poder usufruir de um mínimo de conforto quando em deslocamento pelas ruas centrais daquela área, sem o assédio e vendedores e ainda com o bônus de poder admirar fachadas de prédios como aquele da esquina da Eduardo Ribeiro com a Henrique Martins, onde está localizada a loja Marisa, coisa que há muito tempo estava encoberta pelas barracas de ambulantes.

Se o transeunte ganha calçadas para se locomover no Centro, a cidade ganha uma aspecto mais humanizado ao ter suas calçadas destinadas ao objetivo para o qual saõa construídas: ser um lugar de passagem, de passeio talvez e, também, de acesso a lojas e pontos de interesse da população.

É bom ver que que Manaus pode, sim, voltar a ser a “cidade sorriso” da canção de saudoso Áureo Nonato: “Quem viu você/não pode mais esquecer/Quem vê você,/logo começa a querer./Manaus, Manaus, Manaus,/minha cidade querida./Manaus, Manaus, Manaus,/és a cidade sorriso,/esperança da nossa Amazônia./Manaus, Manaus, Manaus,/Minha cidade querida…”

O que aconteceu no último fim de semana é o início da recuperação do espaço público para a população da cidade que não pode mais ser preterida por um suposto problema social que seria a atividade do camelô. Até onde se sabe esse comércio é atividade provisória e não são poucos os problemas acarretados por ela, seja na esfera do urbanismo, da mobilidade e até mesmo como fonte de corrupção e de atividades paralelas e ilegais, mas isso é outra história.

Por enquanto resta comemorar e torcer para que a Prefeitura de Manaus termine, observando os compromissos assumidos com os ambulantes, o trabalho de humanizar o centro da “cidade sorriso”.

Publicação no Jornal do Commercio, ed. 25/02/2014

Anúncios