Eustáquio Libório

Os 42 projetos analisados na última reunião do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), ocorrida em 24 de abril, totalizavam investimentos de R$ 875,78 milhões e previam a criação, em três anos, de 2.054 novos postos de trabalho.

Visto assim, no geral, é de se pensar no alto grau de atração que o Polo Industrial de Manaus (PIM) exerce sobre indústrias dos mais variados segmentos, pois nos últimos anos têm conseguido trazer organizações do segmento de fármacos, de bebidas e também de bens de informática.

Ao mesmo tempo em que é de se aplaudir as iniciativas para atrair empresas para Manaus, é também oportuna a constatação do fato de que existem projetos de grande valor financeiro, a ser investido em máquinas e equipamentos, mas que não contemplam um grande contingente de mão de obra.

Exemplo disso pode ser o projeto da Red Bull, com mais de R$ 500 milhões para investimento e cuja expectativa de criação de postos de trabalho se resume a 79 vagas.

Voltando aos 42 projetos da última reunião do Codam, que já acumula neste ano, em duas reuniões, mais de R$ 1,1 bilhão em projetos aprovados, cumpre, porém, ressalvar que, dos R$ 875,78  milhões apreciados na última reunião, R$ 316 milhões se referem a projeto da Digibrás, para fabricar telefones celulares no PIM com possibilidade de gerar 144 postos de trabalho.

Esses dados, e outros da mesma natureza, levam à conclusão de que uma das principais vantagens de se ter um polo industrial, que é a criação de empregos, pode estar sendo solapada com a chegada de companhias que usam tecnologia de ponta em seus processos de produção e, por isso, deixam de incluir contingente maior de colaboradores em suas plantas industriais.

Um quadro comparativo de dois momentos – 2007 e 2012 – e que considera três variávveis: postos de trabalho, restituição do ICMS e faturamento, pode ilustrar melhor essa situação.

Se em 2007 os cinco principais setores do PIM, com 82.934 postos de trabalho dos 89.024 empregos diretos existentes, eram responsáveis por 93,16% desse contingente, em 2012 esses mesmos segmentos – eletroeletrônicos, duas rodas, termoplásticos, metalúrgico e mecânico – só detêm 82,88% de participação no estoque de postos de trabalho do PIM, em que pese terem aumentado o número de vagas para 99.497 de um total de 120.055 existentes.

No caso dos eletroeletrônicos, que engloba o subsetor de bens de informática, é necessário frisar que sua participação no estoque de empregos, que era de 52%, em 2007, caiu, no ano passado, para 43%.

Ao mesmo tempo, o setor eletroeletrônico manteve a participação nos valores de restituição do ICMS, equivalente a 48% do total restituído pelo Estado do Amazonas, que em 2007 foi de R$ 2,50 bilhôes e em 2012 atingiu o montante de R$ 3,94 bilhôes.

No que diz respeito ao faturamento da indústria do polo de Manaus, com exceção dos eletroeletrônicos, cuja participação no total passou de 31,10%, em 2007, para 35,53% em 2012, e do setor mecânico que tinha 2,54% em 2007 e no ano passado atingiu 4,45% do total das vendas, os outros três segmentos perderam espaço. Aliás, pelos números divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o segmento mecânico é um setor em ascensão, pois apresenta crescimento também nas duas outras variáveis.

Por fim, é de se registrar que a participação total dos cinco principais setores nas três variáveis analisadas apresenta queda no comparativo de 2007 com 2012. Na mão de obra, passou de 93,16% para 82,88% em 2012; na restituição do ICMS de 77,96% para 71,83% e no faturamento, bem menor, passou de 68,33% em 2007 para 67,65% no ano passado.

Eustáquio Libório é jornalista

E-mail: liborio.eus@uol.com.br

Publicado na revista PIM, nº 37, ed. abril/2013

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