Turismo no meio do mato

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Manaus, mesmo maltratada, é uma bela cidade a surpreender quem aqui chega pela primeira vez, e, eventualmente, deslumbrar o visitante desavisado, em que pese os problemas que a acometem, a maioria, aliás, presente nas metrópoles brasileiras.

A violência, a ausência de estrutura que dê mobilidade aos habitantes por meio do transporte público – que é caro e não tem qualidade -, a precariedade no fornecimento do serviço de energia elétrica e até a ausência de porto público, que talvez pudesse reduzir os custos do frete para a indústria da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Ao manauara e ao amazonense que mora em Manaus, assim como pessoas de outros estados e países que aqui se fixaram, vivem e trabalham, causa ofensa grave o forasteiro que diz, e não são poucos, que a cidade só tem mato e jacaré passeando pelo asfalto.

Ouso dizer que tais afirmações não são verdadeiras, mas, caso o fossem, deveriam, mais uma vez, ser motivo de orgulho para os moradores da cidade por razão simples e que corroboraria o reflexo de termos instalado em Manaus o setor industrial que talvez seja um dos menos poluentes que se conhece.

As indústrias incentivadas que operam na cidade se ergueram em área de floresta, aonde boa parte ainda está preservada, apesar da atividade industrial se estender há mais de cinquenta anos.

De outro lado temos, um campus universitário implantado em plena floresta urbana na zona Sul da capital do Estado, fato pouco divulgado e até ignorado pelos próprios universitários e egressos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que se habituam a essa realidade e não a veem como um diferencial basicamente amazônico.

Manaus pode não ser uma cidade verde, mas já esteve em estado bem pior antes que a prefeitura começasse a arborizá-la e os corredores verdes começam a mudar a paisagem da cidade como bem exemplifica a avenida Djalma Batista, a qual, há cinco ou mesmo dez anos, era um deserto e agora já se pode usufruir, na época da floração, o espetáculo dos ipês colorindo e mudando a paisagem daquela via.

Em percurso de cerca de 15 quilômetros, entre as zonas Norte e Sul, saindo por exemplo do terminal 3, na Cidade Nova 1, até o bairro Japiim, o visitante passa por três reservas: a Sumaúma, a reserva do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a da Ufam.

Isto, sem falar nos parques urbanos como Mindu, Bilhares, entre outros, que fornecem um pouco mais de verde para Manaus, além de possibilitar ao manauara sentir orgulho de viver no “meio do mato”.

Nosso descaso pelo verde e outros atrativos de Manaus, e aí não falo somente da população que, em sua maior parte não conhece a Reserva Florestal Adolpho Ducke e nem mesmo o Teatro Amazonas, é tão grande que chega a parecer que tanto o morador quanto as autoridades desconhecem a cidade no mesmo grau que os forasteiros desinformados.

Essas reflexões acontecem a propósito da ideia – muito boa – explicitada pela presidente da Amazonastur, Roselene Medeiros, acerca da necessidade de criar um plano estratégico para o turismo estadual abrangendo o período 2020-2030. O segmento, na visão da titular da empresa de turismo, pode ser uma nova matriz econômica, fato do qual não se pode discordar e cujos exemplos bem sucedidos, estão em outros estados brasileiros como o vizinho Pará.

Há, porém, que educar o morador de Manaus e das cidades do interior do Amazonas que tenham potencial turístico, a fim de que se tornem divulgadores de uma riqueza que é nossa e com retorno assegurado, se a estratégia der certo.

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Reino Unido faz ensaio em Santa Luzia

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A praça de Santa Luzia ficou pequena para receber os integrantes e simpatizantes da escola de samba Reino Unido da Liberdade que aconteceu no início da noite de domingo, 10, em cenário mais colorido pelo pôr-do-sol, que foi espetáculo à parte.


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A evolução da Reino Unido aconteceu pela avenida São Joao e alameda São Benedito, até a sede da escola, no Morro da Liberdade, zona Sul.

Coisas pequenas no Senado

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O Brasil já viveu época em que era conhecido como o país do futuro e teve um tempo em que foi uma ditadura, dizem, viveu, depois, a fase na qual agora dizem ter sido a era do socialismo caboclo. O país, na verdade, vive uma situação anômala na qual o errado às vezes está certo e o certo, dependendo do viés político, passa a ser o errado.

É, porém, fora de questão que o Brasil é um país surpreendente. Tão surpreendente que em uma eleição para a presidência da casa maior do Legislativo, a eleição para presidência do Senado Federal, se torna o palco de pequenas coisas, coisas pequenas, de coisas que fazem o brasileiro sentir vergonha pelos outros. Os outros, no caso, são os políticos, aqueles que deveriam nos representar, e, em vez disso, nos causam vergonha.

O Congresso Nacional, que já foi uma casa onde os parlamentares eram conhecidos e respeitados pelo País afora, pelo menos em alguns momentos da história, é hoje uma casa de escândalos, escândalos que vão desde a alta incidência de prática de corrupção entre seus membros, tanto faz se na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal, boa parcela dos parlamentares está envolvida em práticas criminosas.

Mesmo assim, os congressistas conseguem fazer a população ficar surpresa, como aconteceu desde a última sexta-feira e no sábado no Senado Federal. Ali, membros conhecidos daquela casa parlamentar quase foram aos tapas e só não chegaram às vias de fato pela interferência de outros senadores que, por algum motivo, tiveram um pouco de bom senso para apartar a briga, ou as brigas que estavam prestes a acontecer. Não bastasse, na véspera, na sexta-feira, dia 2, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) ter tomado literalmente os documentos do mãos do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que presidia os trabalhos, e se apropriado indevidamente de lugares na mesa que comandava a sessão do Senado Federal.

Há quem diga que ela estava certa, todavia, deve ser um “certo” assim, com aspas, porque a verdade é que foi, no mínimo, um desacato, falta de respeito à autoridade que estava no comando da sessão.
A eleição de Davi Alcolumbre para presidência do Senado se transformou, dessa forma, em um fato que envergonha ainda mais a classe política, esta que hoje está no Congresso Nacional.

Por outro lado, não há de faltar aqueles que irão dizer que o novo presidente do Senado vai ser um parceiro da Zona Franca de Manaus (ZFM). Se isto vai acontecer ou não é o que será visto daqui para frente. Pelo menos as expectativas criadas a partir da eleição de Davi Alcolumbre indicam que a Zona Franca de Manaus terá nele um parceiro. As expectativas que se tem, a partir das conversas mantidas por Alcolumbre com políticos amazonenses, principalmente com dois senadores com os quais o então candidato manteve conversas a fim de obter apoio à eleição à presidência daquela casa dão a entender que isso poderá acontecer.

De outro lado, se a Zona Franca de Manaus está enfraquecida, em situação mais complicada está a própria Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa,) em função das indecisões que permeiam a indicação de um superintendente sem que este, o coronel reformado Alfredo Menezes, seja nomeado, como aconteceu no início de janeiro.

A indicação do militar reformado para ocupar o cargo de superintendente sem a consequente nomeação, deixou o atual ocupante do cargo sem saber como se portar, de vez que pode não mais ter o respaldo da secretaria à qual a autarquia está subordinada.

A ZFM está em compasso de espera, como já alertava a historiadora Etelvina Garcia há mais de 5 anos, ao dizer que “devemos nos preparar para viver sem incentivos fiscais, estamos atrasados.” É por aí.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Av. Maués vira palco do Carnaval da Reino Unido

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A escola de samba Reino Unido da Liberdade realizou, no domingo, 3, seu quinto ensaio técnico a partir da avenida Maués, no bairro Cachoeirinha, zona Sul, de onde os foliões, simpatizantes e membros da comunidade acompanharam o evento de rua até a nova sede da escola.


Ala Show das Furiosas, comissão de frente, baianas e demais componentes da escola da zona Sul fizeram a alegria do Morro da Liberdade com o ensaio, sob os acordes da bateria Furiosa.

Confira as imagens clicando aqui

Foliões da Reino Unido fazem ensaio no Morro

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Nem a chuva que caiu no início da noite de domingo, 27, na zona Sul, conseguiu esfriar o ânimo dos foliões e expectadores que acompanharam, pelas ruas do Morro da Liberdade, o quarto ensaio técnico da escola de samba eino Unido da Liberdade.

A apresentação, que teve concentração a partir do batuque da Mãe Zulmira, naquele bairro da zona Sul, teve a presença das alas da escola do Morro, sob o ritmo da bateria Furiosa, além da corte da bateria, Ala Show, baianas e, o show comandado pela comissão de frente.

Comissão de frente mostra história do negro no Brasil

A história dos escravos negros vindos da África para o Brasil é desenvolvida no samba-enrredo 2019, “Tambores, crenças e costumes afro-brasileiros, a bênção Mãe Zulmira” durante a performance da comissão de frente.

Confira nas imagens do ensaio

Fiscalização no preço da gasolina

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Que há algo de muito errado – para o consumidor do Amazonas – em relação aos preços dos combustíveis praticados em Manaus só não vê quem não quer, como bem se pode ilustrar com os preços de venda nos postos de combustíveis, na semana passada, quando até o óleo diesel ficou acima do preço da gasolina. Mas como tudo que é bom – para o consumidor – acaba logo, a retomada de remarcação nos preços já voltou e a gasolina teve o preço majorado, praticamente em todos os postos, por valores equivalentes.

Assim, o usuário de gasolina, no dia 13 de janeiro, comprava esse combustível a R$ 3,49, o etanol tinha o mesmo preço, enquanto diesel era comercializado a R$ 3,59. Menos de uma semana depois, a gasolina passou para R$ 4,39 ou R$ 4,49 na cidade.

De acordo com a Petrobras, o preço de entrega da gasolina na refinaria, em 14 de janeiro, era de R$ 1,4624, naquele dia, o preço nos postos estava 3,49. Uma boa diferença, que é explicada, conforme o site da Petrobras, pela composição do custo do produto para revenda.

Desta forma: distribuição e revenda 15%; custo do etanol 12%; ICMS 31%, Cide/PIS/Cofins 16% e realização Petrobras 26%. Como se pode ver, a fatia que mais onera a gasolina são os tributos que incidem, cuja a soma – 47% – chega perto dos 50%. Mesmo assim, a “maluquice” dos preços em Manaus não dá para ser entendida, a menos que seja esperteza de quem faz a comercialização, como se observa pelo reajuste simultâneo e praticamente no mesmo o valor, por litro, nas diversas empresas do setor.

Então, nesta segunda-feira, após a grita geral dos consumidores, o Procon informa que está nas ruas fazendo fiscalização. Muito bom. Só não informou porque só agora tomou essa providência que exige uma atitude firme de quem tem a obrigação de zelar pelos direitos do consumidor.

Se o Procon está em campo, teve deputado que já pegou carona – mesmo não tendo que arcar com o custo de seu transporte, uma vez que tem carro e combustível bancado pelo suado dinheiro do consumidor. O parlamentar avisou que, em fevereiro, quando voltar aos trabalhos na Assembleia Legislativa do Estado, vai propor uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades na comercialização de combustíveis em Manaus.

Sem querer tirar o incentivo do deputado estadual, aviso que outras já aconteceram, inclusive na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e o resultado só serviu para ampliar a folha de serviço dos parlamentares, enquanto a situação permanece a mesma.

No entanto, ainda há uma esperança. Como se sabe que os tributos são as parcelas que mais oneram o preço da gasolina e, entre esses, o ICMS, que é estadual, é quem leva a parte maior, bem que esse tributo poderia ser reduzido a fim de baixar os preços ao consumidor. Mesmo assim, caso o Estado faça tal redução, nada garante que o consumidor a alcance e é aí que o Procon deve fazer-se presente, acompanhando diariamente esse segmento comercial.

Fazer blitz para checar documentação – nota fiscal – em posto de gasolina dificilmente vai levar a algum resultado, uma vez que a maioria dos usuários – pessoas físicas – dificilmente solicita tal documento e quando o fazem têm que perder um bom tempo para recebê-lo.

Cabe indagar, por fim, se tem algo de errado no setor de comércio de combustíveis, mesmo que seja aproveitar as brechas da ausência de fiscalização.

Ensaio da Reino Unido leva samba às ruas de Santa Luzia

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A escola de samba Reino Unido da Liberdade fez seu terceiro ensaio técnico neste domingo, 20, com a concentração na praça do bairro de Santa Luzia, que ficou pequena para acomodar os simpatizantes e foliões da escola da zona Sul.

A apresentação pelas ruas de Santa Luzia e Morro da Liberdade seguiu até a nova sede da escola, onde o samba continuou pela noite de domingo.

Passistas da Ala Show, portas-bandeiras, baianas, corte da bateria Furiosa, além das demais alas da escola do Morro fizeram o show do samba, com destaque para a comissão de frente que mostrou o sofrimento do negro, parte do enredo, na época colonial.

Alegria foi a tônica do ensaio da Reino Unido

Veja fotos em:
https://photos.app.goo.gl/HMZEFEbeKfZ8rKWX7

Expectativas para 2019

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As estimativas acerca do desempenho da economia no presente exercício, a julgar por variáveis como inflação, medida pelo IPCA, e a taxa de câmbio, com foco no dólar, parecem refletir que a atividade produtiva tem um pouco mais de segurança para crescer, pelo menos é a expectativa dos analistas consultados pela pesquisa Focus, do Banco Central, e divulgada nesta segunda-feira.

No caso do IPCA, a tendência indica queda, uma vez que há quatro semanas o mercado estimava que fecharia 2019 na marca de 4,07% e, agora, caiu para 4,02%, enquanto o produto interno bruto (PIB), no mesmo período, passou da expectativa de crescer 2,55% para 2,57%. Pode parecer pouco, mas é um dado positivo que pode transmitir mais confiança aos agentes produtivos.

Outros indicadores como taxa de câmbio, considerando o dólar, e a produção industrial neste exercício, se mantêm em níveis estáveis há pelo menos quatro semanas. A moeda norte-americana deve fechar este ano cotada em R$ 3,80 e a produção industrial mantém expectativa de crescer 3,04%.

Na contramão, porém, aparecem os preços administrados, cuja evolução é de crescimento. Conforme a Focus, esses preços devem chegar ao fim deste ano com expansão de 4,80%. Há quatro semanas essa estimativa era de 4,75%.

No que diz respeito à Zona Franca de Manaus (ZFM), embora os últimos indicadores da atividade industrial local, na maioria, sejam positivos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar os dados do desempenho industrial do país, relativos ao mês de novembro de 2018, na semana passada, indica deterioração na produção da ZFM.

Conforme o IBGE, no comparativo entre novembro e outubro do ano passado, há queda de 3,5%. O valor negativo é de 2%, quando a comparação ocorre entre o mês de novembro de 2018 e de 2017, no entanto, a notícia menos ruim é que, no acumulado de janeiro a novembro do ano passado, o registro é de crescimento de 6,1%.

Pelos indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), referentes a outubro de 2018, aqueles ligados à produção, como compra e importação de insumos, são positivos, assim como o faturamento, que evoluiu positivamente pouco mais de 1%, enquanto a aquisição de insumos, medida em dólar, cresceu mais de 30% no período.

No caso dos investimentos produtivos no Polo Industrial de Manaus (PIM), os dados da Suframa indicam queda de 2,33% entre 2017 e 2018. Essa baixa afeta, inclusive, dois dos maiores setores: duas rodas com queda de cerca de 9% nos investimentos, e termoplásticos, com baixa de 1,28%. O segmento de eletroeletrônicos apresenta desempenho positivo de 1,22%.

As mudanças efetivadas em Brasília e que envolveram a subordinação da Suframa a uma secretaria do Ministério da Economia, assim como a indicação de Alfredo Menezes como novo titular da autarquia, tiveram repercussões antagônicas no meio empresarial ligado aos incentivos fiscais direcionados à indústria, já que a indicação do militar foi vista positivamente, enquanto a nova estrutura funcional da Suframa no Ministério da Economia não agradou.

De novo, talvez a iniciativa de alguns deputados federais, com a assistência da Suframa e da Federação das Indústrias do Estado Amazonas (Fieam) de promover seminário acerca do modelo ZFM. A lamentar que o governador não tenha comparecido e torcer para que a defesa do modelo não se esgote aí, mas se mantenha no Congresso Nacional.

Foto: reprodução WEB/Rico

Sem correção de tabelas, brasileiro paga mais IRPF

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O contribuinte do brasileiro, ao que tudo indica, vai continuar pagando mais Imposto de Renda do que deveria, apesar de o presidente da República, Jair Bolsonaro, dizer que quer reduzir a carga tributária do país. Exemplo disso é a falta de atualização das tabelas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

A Receita Federal não faz atualização das tabelas do IRPF, de acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), desde o exercícoi de 2016, com isso, o contribuinte pessoa física recolhe mais IR do que deveria, já que o impacto da inflação não é considerado no cálculo do ajuste anual.

O acumulado das defasagens das tabelas do IRPF, desde 1996, segundo o Sindifisco Nacional, já atinge 95,4%. Assim, a faixa de isenção que hoje vale para quem tem salário mensal de até R$ 1.903,98, se corrigida pela Receita Federal, o contribuinte só seria tributado pelo IRPF se tivesse salário a partir de R$ 3.689,57.

“Venezuelano, procuro trabalho…”

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“Venezuelano, procuro trabalho, diária ou uma ajuda” esse é o texto de um cartaz típico de cidadãos venezuelanos que perambulam pelas ruas de Manaus, sem eira nem beira, expulsos de seu país pelos desacertos das administrações bolivarianas que iniciaram com Hugo Chávez, lá por 2002, e perduram até hoje, com o recém-eleito para novo mandato, Nicolás Maduro.

Em fins de agosto, de acordo com material divulgado pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur), os cidadãos venezuelanos que aportaram em Manaus e solicitaram refúgio somavam cerca de 7 mil almas, mas o fluxo migratório continua e os espaços para abrigar refugiados, três, só consegue lugar para cerca de 700 pessoas em Manaus.

Entre os venezuelanos há profissionais com formação superior que buscam qualquer colocação para trabalhar e, no dia a dia, moram em barracas ou redes nas áreas como viadutos. A maioria são homens jovens, pois mulheres e crianças têm prioridade nos abrigos. Mesmo assim, os deserdados pelo bolivarianismo fazem qualquer trabalho para conseguir alguns reais para comprar alimentos, água e tomar banho, sobreviver, enfim.

O drama dos venezuelanos, que abandonaram tudo que tinham em seu país para fugir da miséria sob a qual a Venezuela hoje vive, pode parecer um filme ou um pesadelo que o brasileiro já viveu, porém com custos sociais e econômicos bem mais negativos que os experimentados pelos, no período anterior à estabilização da moeda, com a criação do Plano Real, em 1994.

Se por aqui a luta era para tentar fugir das máquinas de remarcação de preços, na República Bolivariana da Venezuela houve – e ainda há – todo um processo político voltado para impor medidas de controle estatal em todos os segmentos econômicos, cujo efeito principal foi barrar novos investimentos no setor privado com a fuga, não só de capitais, mas também de cérebros para outros países.

País que já esteve entre os maiores produtores de petróleo do mundo, a Venezuela enveredou, no século 21, pela rota da má gestão macroeconômica, nacionalização da indústria e, como aqui, com a interferência na estatal do petróleo, a PDVSA, sem falar na expropriação de propriedades privadas, detonando a segurança jurídica naquele país e afugentando empresários, com bem registra Noah Smith, no Washington Post.

Queda na produção da indústria, desemprego, insegurança jurídica, tabelamento de preços, hiperinflação somados resultaram no estado de calamidade sob o qual os venezuelanos deixaram de ter esperança de viver com alguma dignidade em seu país e, assim, estava pronto o caminho, com muitas rotas, todas apontando como destino para esses desesperançados, um outro país.

O clima de terra arrasada levou ao êxodo e, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), desde 2015, cerca de 2 milhões de venezuelanos abandonaram a república bolivariana em busca de vida mais digna fora do país, mesmo que a partir do zero e, em casos como aqueles que optaram pelo Brasil, sem conhecer nem a língua do país de destino.

Partidários da esquerda costumam dizer que os maus resultados obtidos em regimes esquerdistas, como na Venezuela, é realização do comunismo, enquanto os bons resultados seriam consequência do socialismo.

Pelo exemplo da Venezuela, ali a experiência falhou de novo, sob o rótulo do bolivarianismo, para tentar construir um atalho e chegar, talvez, a uma Suécia tropical. O preço, quem paga são os cidadãos venezuelanos, longe da pátria e da dignidade como ser humano.