Quanto custa sua conta bancária?

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Conta bancária quase todo mundo tem, ou deveria ter. Afinal, não tem como deixar de receber valores e fazer a contrapartida: pagar os compromissos, esses, felizmente para os bancos, são a parte onde o lucro parece chegar em maior volume quando o correntista recorre ao crédito rotativo de seu cheque (??) especial, que, hoje, deixou só o especial, pois os cheques são coisa em extinção com a adoção das novas tecnologias que colocam, via internet, transferências de recursos em tempo real ao alcance de qualquer correntista.

De qualquer correntista é modo de falar, na realidade é aí que entra a variável custo de uma conta corrente. Os bancos, conforme normas do Banco Central do Brasil (BC), dispõem a seus correntistas pacotes compostos por diversos serviços, com fundamento na renda e no movimento da conta do cliente. É o caso da linha Estilo, no Banco do Brasil, e Van Gogh, no Santander, só para ficar em dois exemplos. Para o cliente, pacotes de serviços top têm custo bem mais alto que um pacote básico, obviamente.

O problema – para o correntista – é quando este não se dá conta de que não utiliza a maioria dos serviços pelos quais paga, mensalmente, um valor, que, se bem administrado, pode ser reduzido para atender – realmente – as necessidades do dono da conta e não o faturamento do banco.

Pacotes com serviços similares tinham preços semelhantes, no mês de setembro, nos bancos do Brasil e Santander, custando pouco mais de trinta e quatro reais por mês. Parece pouco, mas se você fizer o cálculo de quanto isso vai lhe custar no fim de um ano, mais de quatrocentos reais nestas duas instituições, pode mudar sua atitude, principalmente quando o pacote passa, sem aviso prévio, para o dobro do que você está acostumado a pagar, mesmo sem utilizar os tais serviços disponibilizados.

Outros dois bancos – Bradesco e Caixa Econômica – também em setembro, cobravam entre vinte e vinte e dois reais por um pacote de serviços, totalizando algo como duzentos e cinquenta reais por ano.

Os serviços são disponibilizados, se o cliente não necessita ou não usa, vai pagar assim mesmo. A menos que resolva mudar para outro pacote que lhe seja mais adequado. É aí que as mudanças ocorridas no atendimento das instituições financeiras começam a fazer a diferença, uma vez que o atendimento presencial também é mais caro e as instituições financeiras têm maiores custos. Ao cliente, que tem necessidade de ir a um banco, resta a possibilidade de iniciar o sacrifício de começar a pagar – também – seus pecados, p ois o que não vai faltar são filas para tomar seu precioso tempo, além da paciência.

Conforme o BC, entre 2010 e 2014, os pontos de atendimentos, sem contar ATM e POS, passaram de 265.713 para 286.935, em todo o Brasil, isto depois de ter um pico, em 2013, quando atingiram o total de 325.570 pontos. Quer dizer, houve uma queda na quantidade de pontos de atendimentos de quase 12% entre 2013 e 2014. Na região Norte, em 2013, havia 16.886 pontos de atendimento que caíram para 15.545 no ano seguinte, redução de 8% de um ano para o outro.

Mas se os pontos de atendimento bancário caíram, o mesmo se pode dizer do número de instituições financeiras que operavam no país entre 2010 e 2014. Naquele ano havia em atividade no Brasil 1.617 entidades financeiras que caíram para 1.392 em 2014, uma redução de 14%. Já o preço dos pacotes de serviços mantiveram a curva em ascensão.

Se houve melhora no atendimento é algo a ser provado, mas os lucros dos bancos se mantêm nos mesmos patamares de sempre: bem altos

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Direitos humanos no Enem e no ministério

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Os direitos humanos foram as estrelas da semana passada, quando, por razões variadas, o tema foi alçado como o mais comentado nas redes sociais. A primeira ocorrência se relacionava à redação a ser escrita na prova anual do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja primeira parte ocorreu no domingo, dia 5. A outra ocorrência, mais drástica e ridícula, colocou sob o foco da mídia a figura da ministra dos Direitos Humanos do governo Temer, indicada, dizem, pelo PSDB.

No primeiro caso, o tal do regulamento do Enem proibia – pois, é – que estudantes argumentassem em suas redações ao tecer considerações que eventualmente pudessem ir de encontro aos direitos humanos.

A tal norma, além de tentar impor censura prévia aos estudantes, o que é vedado pela Constituição Federal como bem o provou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ao torná-la nula, impedia que pessoas manifestassem sua maneira de pensar, opinar, sob pena de ter seu texto sem pontuação. Quer dizer, se falasse mal dos direitos humanos levaria zero na avaliação dos burocratas da educação.

É de se questionar a maneira como os defensores dos direitos humanos tentam impor sua visão de mundo aos demais, como se esta fosse a mais correta, ética etc, etc. Ao buscar censurar uma prova de nível nacional, podem estar fazendo a patrulha ideológica do politicamente correto, que nem todo mundo tem como unanimidade e sua prática também deve ser feita com a observância dos direitos de quem não concorda com isso.

O outro caso, que beira o ridículo se não fosse uma comparação descabida, trata da visão da ministra Direitos Humanos, Luislinda Valois, acerca de seus proventos como titular da pasta ministerial. Para ela, uma mixaria.

Em uma peça com arrazoado que tomou mais de 200 páginas, a ministra solicitava a manutenção de sua aposentadoria como desembargadora em conjunto com os proventos de ministra. Caso tal pedido fosse aceito, a ministra embolsaria todo mês mais de 60 mil reais. Como não há, legalmente, previsão para esse acúmulo de proventos, ela teve que optar pelo maior salário e recebe cerca de 2,7 mil como ministra, os quais, junto com a aposentadoria de desembargadora, atinge 33 mil reais.

Foi aí que as redes sociais começaram a malhar a ministra, a qual declarou que trabalhar sem contrapartida remuneratória se assemelhava ao trabalho escravo. Infeliz declaração para quem ganha cerca de 15 vezes a média do assalariado no Brasil, que não chega a 2,5 mil reais por mês.

Pior do que a comparação com o trabalho escravo que a ministra fez, foi declarar que o cargo – de ministra – exige um bom trato na aparência, citando gastos elevados com maquiagem.

É, os direitos humanos vão de mal a pior no país que não chega nunca ao seu futuro, justamente porque servidores públicos, como a tal ministra, desperdiçam seu tempo para construir uma peça administrativa reivindicando o que ela julga ser seu direito individual, enquanto técnicos da educação e da pedagogia tentam defender esses mesmos direitos subtraindo a estudantes um outro direito que é o de manifestar livremente seu pensamento.

Enquanto isso, a massa de desocupados no país ainda é de 13 milhões de pessoas, as filas para atendimento médico duram meses, e, dependendo da doença, até anos para obter atendimento, As vítimas da violência não têm esses defensores a seu lado, uma vez que tais defensores preferem prover bem-estar aos marginais, bandidos e apenados.

Concentrado vai virar garapa

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Os últimos indicadores de desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), divulgados no dia 11 de outubro, trouxeram a confirmação de que a indústria amazonense está mesmo em recuperação, incluindo a oferta de mais postos de trabalho. Segmento que, como sabe, é o último a reagir quando a atividade econômica é aquecida ou sai de uma recessão como é o caso atual do Brasil.

No entanto, como a Zona Franca de Manaus (ZFM) não consegue existir sem que setores econômicos mais fortes sediados no Sul-Sudeste do país produzam alguma norma para atravancar o crescimento e o desenvolvimento desse modelo vencedor, no dia 26 de outubro os parlamentares federais do Amazonas souberam, por meio de comunicado feito a eles pelo superintendente da Suframa, Appio Tolentino, que a mudança de uma norma técnica efetivada pelo Ministério da Fazenda colocara em risco o segmento de concentrados e bebidas não alcoólicas que garante emprego direto a 14 mil pessoas e fatura mais de R$ 500 milh&otil de;es por ano.

A Zona Franca de Manaus tem sob sua jurisdição administrar incentivos fiscais nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima. São cinco estados que se beneficiam com a atuação da Suframa, mas, ao que parece, mesmo com os recursos assegurados aos parlamentares, que lhes garante assessoria, os do Amazonas só ficaram sabendo da mexida com a ZFM pelo comunicado da Suframa. Vai ver que nos demais Estados, os parlamentares ainda nem tomaram conhecimento acerca da norma que inviabiliza incentivos como PIS/Cofins, Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados para o s egmento de concentrados e bebidas não alcoólicas.

Só o completo divórcio dos parlamentares com a sociedade pode explicar esse tipo de ocorrência e até omissão por parte daqueles que são eleitos para zelar pelo bem-estar das comunidades que lhes dão mandato para representá-las. É aí que afirmações como a feita por parlamentar do Amazonas há algum tempo começa a fazer sentido, ao dizer que a representação do Estado tem apenas 11 parlamentares federais. Deve ser por aí o tipo de representação que os amazonenses conseguem eleger.

Alertados, pouco ainda se viu ser feito pelos parlamentares do Amazonas e de outros estados que são beneficiados pelos incentivos da Suframa, para contornar mais esse ataque à Zona Franca de Manaus e às indústrias com operações no setor de concentrados e bebidas não alcoólicas.

Assim, não é de estranhar que comissões do Congresso Nacional já tenham aprovado uma zona franca para o Estado do Espírito Santo. Com a logística que aquele Estado detém, favorecido por estar situado no Atlântico, pouco ou quase nada vai sobrar para a ZFM se essa iniciativa também for adiante.

Enquanto isso, os representantes do Amazonas no Congresso Nacional se preocupam mesmo é com a eleição de 2018. Afinal, ninguém quer perder os privilégios que um mandato garante. Já cuidar dos interesses da sociedade é outro departamento, dá-se um jeito, um jeitinho e a vida segue.

Publicação no Jornal do Commercio em 30/10/2017

Manaus, do forte à ponte

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Manaus, esta cidade encravada na confluência dos rios Negro e Solimões/Amazonas, surgida ao redor do Forte de São José da Barra do Rio Negro, com uma capela construída na intenção de Jesus, Maria e José, chega aos 348 anos de existência como metrópole que abriga, dá emprego, renda e educação para mais de 2,13 milhões de pessoas, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De outra perspectiva, Manaus é uma das poucas capitais brasileiras que pode se orgulhar – que me perdoem os que são contra a cultura clássica – de ter um teatro que é um monumento

Mas, como qualquer metrópole, Manaus não vive só para comemorar o sucesso de existir por quase três séculos e meio, embora se possa afirmar que a cidade tem história vencedora e sua expansão, mesmo sem o planejamento necessário, consegue dar qualidade de vida à população, principalmente aquela que conhece e pode usufruir de seus equipamentos urbanos.

Cabe, no entanto, e lembrando a música de Chico da Silva, “Domingo de Manaus”, fazer alguns registros sobre coisas que se foram. Umas tomadas pelo progresso, outras – mais triste – detonadas pela ausência de ação por parte dos administradores que passaram por Manaus.

Se hoje já não é possível tomar banho no igarapé da Ponte da Bolívia, na Cachoeira do Tarumã ou no balneário do Parque 10 de Novembro, por outro lado ainda dá para “no rio Negro, de barquinho, vou curtindo o panorama da cidade…”. E que panorama! A própria cidade e equipamentos como a ponte sobre o rio, com seus mais de 3,5 quilômetros, enche os olhos do manauara e do visitante, sem falar nas praias que surgem na vazante e, como ilustra o nosso Chico “areia branca e água preta, alvinegra dessas cores eu sou fã”.

O Vivaldão, cantado por Chico, deu lugar à Arena da Amazônia, junto ao sambódromo e à Vila Olímpica, instalações essenciais àquelas cidades com pretensão de se tornarem metrópole. O ar de província que Manaus tinha até os anos 1960, quando os edifícios mais altos eram a sede da Lojas Brasileiras (Lobrás), na esquina das avenidas 7 de Setembro com a Eduardo Ribeiro, e o IAPETEC, na 7 de Setembro, em frente à praça D. Pedro 2º, se perdeu no tempo. O lado ruim é que não se pode mais dormir de janelas abertas como naquela &e acute;poca.

De outra perspectiva, Manaus é uma das poucas capitais brasileiras que pode se orgulhar – que me perdoem os que são contra a cultura clássica – de ter um teatro que é um monumento e está em pleno funcionamento com espetáculos musicais incluindo ópera, jazz, or questra de músicas clássicas, dança, entre outras atividades artísticas. O melhor de tudo é que, hoje, após cerca de vinte anos de trabalho, é a prata da casa que estrela esses eventos.

No passivo que Manaus contabiliza, basta que se diga, em linhas gerais, que as vias da periferia estão tomadas pelos buracos, o trânsito é uma fonte de estresse para o manauara, fato agravado pela ausência há mais de ano, de qualquer vigilância eletrônica. Saúde e segurança pública acompanham o “desempenho” das demais capitais brasileiras, infelizmente. Já o transporte coletivo público mantém uma frota que não dá conta do recado e quem paga – e caro – é a população.

Por fim, cabe dizer que a Manaus – já chamada de “Cidade Sorriso” – está recuperando essa face mais amena. Exemplo disso é o projeto de arborização da cidade e o local onde essa recuperação é mais visível está na avenida Djalma Batista, onde, pela segunda vez, os ipês já ali floriram.

Para terminar, fiquemos com Chico da Silva: “Resolvi falar, pra quem não visitou nem conheceu Manaus, tô dando a dica que resolve logo, e tua alma vai sair do caos.”

Combate à violência tarda e falha

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Desafio é a palavra da hora para o governador Amazonino Mendes que, mal assumiu, já está catapultado a candidato ao 5º mandato à frente do Executivo do Amazonas, lançado, segundo dizem, pelo seu partido, o PDT.

O desafio da violência, que a sociedade amazonense enfrenta desde há muito, indica que o lado negro está ganhando e a sociedade é vítima com mortos, sequelados físicos e psicológicos, cujo contingente só aumenta

Enquanto o governador assume que já estava na rede a descansar das fadigas da vida pública, mas atendeu ao apelo do povo e resolveu arrumar a casa. O Negão, assim, já se declarou escravo do povo e diz que topou o desafio de reconstruir o Amazonas.

Trabalho não vai lhe faltar, principalmente na área de segurança onde, de um lado, empresários do transporte coletivo público contabilizam, entre janeiro e setembro deste ano, prejuízo de quase oitocentos mil reais em 2.900 assaltos praticados contra o sistema de transporte coletivo. Só em setembro, informam os empresários, os meliantes efetivaram 358 roubos a ônibus, com a média de 12 ações ilícitas por dia. Será que tem polícia nas ruas? E as câmaras de segurança, servem para quê, mesmo?

Outro levantamento, desta vez da própria Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), dá conta de que, no primeiro semestre deste ano os amigos do alheio deixaram a pé 5.316 pessoas que utilizam – ou utilizavam – motocicletas na capital. Diz a pesquisa da SSP/AM que isso dá a média de uma moto roubada ou furtada em menos de hora.

Mas a ausência de segurança no Amazonas também é certificada pelo Atlas da Violência, edição 2017. Por ali fica-se sabendo que, entre 2005 e 2015, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes subiu de 18,5 para 37,4. Isso significa uma expansão superior a 100% – exatos 101,7% – na taxa de assassinatos praticados no Estado do Amazonas.

Nesses dez anos essa taxa se apresentou em curva ascendente e atingiu 37,4 homicídios por 100 mil habitantes pela primeira vez em 2012, caindo para 31,3 em 2013, para voltar aos 37,4 em 2015. Grosso modo, pode-se afirmar que, apesar de a área de segurança pública ser beneficiária de cerca de 10% do orçamento estadual, algo como 1,5 bilhão de reais neste exercício, pouco ou quase nada está sendo feito para reduzir os níveis da violência no Amazonas, como bem refletiu, no primeiro dia de 2017, o massacre de detentos dentro de penitenciárias.

A explicação para a redução dos casos de homicídios observada em 2013 deve-se, possivelmente, à atuação do policiamento ostensivo efetivado, à época, pelo Ronda no Bairro, iniciativa que se perdeu, sumiu das ruas, dando lugar à bandidagem.

Os homicídios, no Amazonas, passaram de 599, em 2005, para 1.472 em 2015, informa o Atlas, ao registrar crescimento de 145,7% no período de dez anos. Tal fato coloca o Estado em quarto lugar no ranking das unidades federativas mais violentas do país, ficando atrás de Rio Grande do Norte, Sergipe e Maranhão, respectivamente.

Esses dados não contemplam outros tipos de violência tais quais agressão, tentativas de homicídios e lesões corporais, sem falar no trauma resultante a acompanhar e transformar a vida do cidadão ou cidadã em constante estado de medo e ansiedade.

O desafio da violência, que a sociedade amazonense enfrenta desde há muito, indica que o lado negro está ganhando e a sociedade é vítima com mortos, sequelados físicos e psicológicos, cujo contingente só aumenta. Já passa da hora de aplicar os recursos de forma a detonar os malfeitores e seus malfeitos, inclusive aqueles de colarinho encardido, porque se foi branco a corrupção já manchou.

Tiros da morte

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A segunda-feira, 2 de outubro, amanheceu com os noticiários dando conta de mais um ataque armado, em Las Vegas, Nevada, Estados Unidos, com pelo menos 58 mortos e mais de 500 pessoas feridas em ataque efetivado por um atirador contra espectadores de um show musical, ainda na noite do 1º de outubro, naquela cidade norte-americana.

É possível que tal fato leve, como tem acontecido depois desse tipo de evento nos Estados Unidos, à discussão sobre imposição de maior controle, por parte do Estado, acerca do controle na venda e porte de armas naquele país. No entanto, o direito à obtenção e porte de arma nos EUA são assegurados pela Constituição, o que já constitui um obstáculo a ser transposto, além do forte lobby da indústria de armas com atuação legal no congresso norte-americano.

No Brasil, o impeditivo legal deixa a população à mercê dos bandidos e todo ano a mortandade, informa o Atlas da Violência 2017, tira a vida de quase 60 mil brasileiros

Não é por outro motivo – a força dos lobistas da indústria de armas nos Estados Unidos – que o atual presidente norte-americano, Donald Trump até aceitou doações à sua campanha eleitoral dessa, literalmente, poderosa indústria.

No entanto, há fatos que merecem ser examinados à luz dos números, tanto os do Brasil quanto dos Estados Unidos. Aqui o cidadão de bem é praticamente impedido de comprar arma para se defender pelas normas legais que disciplinam o tema. Já a bandidagem se arma – com armas de fogo “da pesada” – para perpetrar toda espécie de agressão contra quem paga impostos até por saber, o cidadão-bandido, que não vai encontrar resistência do mesmo calibre. Ao cidadão-bandido não falta quem defenda os “direitos” e a bandidagem cresce a cada dia.

Para começar, conforme a entidade civil dos EUA, Gun Violence Archive, e mesmo dados do Federal Bureau of Investigation (FBI), a média de mortes (homicídios) com a utilização de armas de fogo nos Estados Unidos está na casa das 30 mil ocorrências por ano. Note-se que cerca de 88% dos norte-americanos são possuidores uma ou mais armas de fogo.

Será que o uso de arma tem poder de dissuasão por lá? Grosso modo, pode-se dizer que sim. Já no Brasil o impeditivo legal deixa a população à mercê dos bandidos e todo ano a mortandade, informa o Atlas da Violência 2017, tira a vida de quase 60 mil brasileiros. Em 2015 foram exatas 59.080 as mortes causadas por armas de fogo. Com a população desarmada, geralmente quem matou foram os bandidos e não os mocinhos.

Outro dado: Nos Estados Unidos, a média de homicídios perpetrados com uso de arma de fogo é de 4,5 por 100 mil habitantes. No Brasil, com as limitações à compra e ao porte de arma essa mesma estatística é de “apenas” 28,9 por 100 mil habitantes. Em outras palavras, por aqui, as ocorrências são mais de cinco vezes maiores que aquelas dos EUA.

O próprio Atlas da Violência 2017 traz uma constatação nada lisonjeira para o Brasil ao informar que todos os ataques terroristas ocorridos nos cinco primeiros meses de 2015 fizeram muito menos vítimas que os assassinatos com arma de fogo no Brasil. Os terroristas, em volta do mundo, mataram naquele período 498 pessoas, enquanto no Brasil foram 3.314 pessoas que perderam a vida graças à violência com uso de armas de fogo.

Cabe perguntar a quantas anda – se é que anda – a tramitação do projeto de lei nº 3.722/2012, que entre as medidas ali preconizadas prevê a revogação do tal Estatuto do Desarmamento. Com menos exigências para comprar arma e obter porte, quem sabe o brasileiro deixa de ser vítima da violência da bandidagem.

Expectativas razoáveis e cautela

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Setembro entra em sua quinta e última semana com resultados que deixam o nono mês deste ano com saldo no azul. Entre esses resultados pode-se incluir, finalmente, até a retomada do emprego formal, conforme foi apurado pelo Caged no período referente a agosto/2017, divulgado no último dia 21, quinta-feira.

Na mesma toada – para seguir o vocabulário dos bois de Parintins – a taxa básica de juros mantém a tendência de queda, está em 8,25% com último corte de um ponto percentual realizado pelo Comitê de Política Monetário

Os 163,4 mil novos postos de trabalho acumulados no país durante este exercício, se não são uma notícia que mereça comemoração, em face dos ainda 13 milhões de brasileiros que buscam emprego pelo país afora, pelo menos confirma a tendência, ao longo de cinco meses, de expansão na oferta de empregos formais.

O Amazonas, com saldo positivo de 1.357 novos postos no mês de agosto, concorreu com cerca de 40% das 3.275 novas vagas criadas em toda a região Norte. Pode parecer pouco, mas considerando o tamanho da recessão da qual o Brasil ensaia sair, já oferece algum consolo para aqueles que ainda buscam colocação no mercado formal de trabalho. Na frente o segmento de serviços que criou 860 novos postos de trabalho no mês passado, seguido pela indústria de transformação com a geração de mais outras 475 novas vagas naquele mês.

Mas nem só de emprego vive a economia, tanto é assim que a inflação continua a recuar e os dados coletados pela pesquisa do Banco Central (BC) na semana encerrada no dia 22 e divulgada nesta segunda-feira, 25, mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (INPC) se mantém em queda. Tendo iniciado setembro ao nível de 3,45%, na expectativa dos agentes econômicos para este ano, deve fechar o mês abaixo do limite inferior da meta de 3%, conforme o relatório Focus, ao registrar expectativas de 2,97% para este ano.

Na mesma toada – para seguir o vocabulário dos bois de Parintins – a taxa básica de juros mantém a tendência de queda, está em 8,25% com último corte de um ponto percentual realizado pelo Comitê de Política Monetário (Copom), no último dia 6 de setembro. De outro lado, as expectativas dos agentes econômicos estimam que 2017 vai fechar com a Selic em 7%. O mesmo valor também está previsto para 2018.

Quem prefere acompanhar o desempenho da economia por meio da geração de riqueza, também tem boas notícias, pelo menos se depender das expectativas do mercado captadas pela pesquisa do BC. O produto interno bruto (PIB) também se comporta em curva ascendente neste ano. Na primeira semana deste mês, os agentes econômicos estimavam um PIB de 0,39% para 2017, na semana de 11 a 15 de setembro essas previsões passaram para 0,60% e fecharam a semana passada em 0,68%.

A mesma cadência manteve as expectativas do PIB para o próximo ano, tendo iniciado setembro em 2,0 %, atingindo 2,20% no período de 11 a 15 de setembro, para fechar a semana passada em 2,30%.

A má notícia, no entanto, ficou para o final uma vez que as expectativas da produção industrial para 2017 tiveram um ligeiro recuo na visão do mercado, conforme o BC, ao cair de 1,10%, no período de 11 a15 deste mês, para 1,05% na semana passada. A pesquisa do BC captou baixa também nas expectativas para o próximo ano.

As visões positivas do mercado são razoáveis, embora pareçam embutir a cautela inerente aos fatores políticos e à sombra que continua a rondar o mandato do presidente Michel Miguel Temer. Não dá para ser diferente.

Sinais positivos na economia

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Começa a se solidificar com maior intensidade as expectativas do mercado acerca da melhoria no desempenho da economia brasileira à revelia da situação política no Planalto, a qual, ao que parece, volta a se equilibrar na corda bamba com a segunda denúncia contra o presidente da República, Michel Miguel Temer, patrocinada pelo procurador-geral da República no apagar de sua gestão à frente da Procuradoria Geral da República (PGR), na semana passada.

Mesmo os papéis de companhias como a JBS, cujos acionistas majoritários foram presos por determinação da Justiça – apesar da delação premiada dada a eles -, que tem ações negociadas na BMFBovespa, não conseguiram, na segunda-feira, dia 18, puxar para baixo o índice da Bolsa, considerando as oscilações das ações de uma das maiores empresas do seu ramo no mundo, quando os papéis da JBS chegaram a cair até 3% no pregão matinal.

Se o desempenho da Bolsa indica uma curva ascendente dos negócios que ali são fechados, incluindo a superação de recorde histórico como aconteceu na semana passada, estudos divulgados por instituições financeiras, declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, além de boas novas como a anunciada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), acerca de melhoria na criação de empregos, ratificam a expectativa otimista do fim da crise sob a qual o Brasil se arrasta por mais de dois anos.

São importantes nessa visão de retomada da economia a manutenção dos cortes que vêm sendo efetivados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na taxa básica de juros, a Selic, além, é evidente, da queda na inflação.

Mas como sempre há um porém, o relatório Focus fechado na sexta-feira, 15, e divulgado na segunda-feira, mostra expectativas de alta na inflação para os próximos 12 meses em três dos quatro índices pesquisados com agentes econômicos, sendo o IGP-DI o mais significativo, tendo subido de 4,47%, na pesquisa anterior, para 4,60% na fechada no dia 15 de setembro.

Para este exercício, as expectativas de inflação coletadas pela pesquisa do Banco Central do Brasil ficaram no 2 x 2, isto é, dois dos quatro índices indicam crescimento da inflação neste ano, enquanto os outros dois mantêm previsão de baixa, é esperar para ver, embora a baixa nos juros possa concorrer para aumentar o consumo via crédito.

A lamentar, por enquanto, que a intenção de investimentos, monitorada pelo Portal da Indústria, não tenha crescido com maior vigor, apesar de manter curva ascendente. Em dezembro de 2016 esse indicador era de 44,6 pontos e ascendeu a 47,9 pontos até agosto deste ano.

Como se pode constatar, o movimento de recuperação da economia existe e pode até ser considerado tendência, resta aos agentes econômicos manter essa dinâmica. O problema, como se sabe desde há muito, é o fator político vir a pôr abaixo todo o esforço de recuperação que tem sido feito até agora. Uma dessas situações é a não aprovação, em 2017, da reforma da Previdência. Sem isso, o governo vai continuar com rombos crescentes.

Dá pra resolver Manaus Ambiental?

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Reclamar sobre a precariedade dos serviços públicos como saúde, educação, transporte coletivo, fornecimento de energia, água e até do esgoto sanitário já não é novidade. Independente da forma como tais serviços são prestados, seja diretamente pelo poder público ou via concessão, ao usuário cabe a parcela de pagar por serviços de má qualidade e o exemplo mais emblemático são as paralisações no transporte coletivo.

No entanto há serviços que, apesar utilizarmos todos os dias só são vistos quando entram em colapso, ou quase. É o caso da implantação de adutoras para abastecimento de água e do serviço de esgoto, tanto pluvial quanto sanitário. Se aos governantes, por se tratar de obras que “não aparecem”, e em sua visão podem não render dividendos eleitorais, na perspectiva do contribuinte os problemas são mais efetivos.

Implantar adutoras e esgoto sanitário mexe com a vida das pessoas dada a necessidade escavações nas vias por onde tais equipamentos urbanos vão ser implantados ou substituídos, dependendo da necessidade de cada logradouro.

Se as escavações já causam problemas com os desvios do trânsito e até interdição de ruas, pior ainda é quando tais obras não vão proporcionar serviços de uso imediato para a comunidade onde são implantados, ou vão ampliar gastos do contribuinte na forma de novas taxas e onerar mais as já existentes, como parece ser o caso da implantação e substituição do sistema de esgotamento sanitário que a Manaus Ambiental está fazendo na Cidade Nova 1, Zona Norte.

Inaugurado no início dos anos 1980, aquela comunidade não chegou à quarta década de existência, mas os problemas com o esgotamento sanitário vêm de longe. Se por um lado não há como questionar a necessidade de implantação do serviço, por outro, a maneira como está sendo efetivado deixa muito a desejar, que o digam os moradores da área compreendida entre a avenida Noel Nutels até o conjunto Renato de Souza Pinto 1, onde as obras estão em andamento.

Moradores mais antigos dessa área dizem que os dutos de coleta dos dejetos sanitários estavam instalados a cada lado das vias, os quais, agora, serão coletados por apenas um duto, em implantação pela RD Engenharia. Ora, se com os coletores duplos os moradores quase sempre tiveram problemas, a tendência é que tais ocorrências venham a se agravar com os dutos em implantação.

Para complicar mais a equação, embora a concessionária do serviço de água e esgoto nada tenha dito no panfleto que comunicou à população a realização do serviço, existe também a expectativa de que, com o investimento na nova rede de esgoto, também virá, a reboque, aumento na tarifa, além dos custos com a quebra de calçadas dos moradores para interligar as casas à rede ora em implantação.

Inegável, até o momento, é a piora na qualidade de vida dos moradores com ruas escavadas deixadas sem recapeamento asfáltico e com uma camada de  barro que se elevando em forma de poeira a toda hora, afetando a saúde dos moradores, e se transformando naquela lama pegajosa em dias de chuva como na madrugada desta terça-feira, 12. Dá pra resolver Manaus Ambiental?

Privatizem a Eletrobras

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Desde a colonização do Brasil pelos portugueses, este país sofre de um mal que lhe reduz a competitividade, drena recursos públicos para a corrupção e deixa, sempre, o cidadão, o contribuinte, de quem são tomados os recursos, sem a assistência mínima devida pelo Estado, justamente por ser a instituição que deveria olhar por toda a sociedade e assisti-la.

Esse mal, esse vício é o gigantismo estatal, é a interferência pura e simples na economia, enquanto aquelas atividades que deveriam ser atribuições do Estado com o objetivo de dar retorno, em forma de serviços à sociedade, não contam com a atenção necessária.

A Eletrobras Amazonas que, em 2016, faturou 836.8 milhões de dólares, tendo fechado o exercício com 1.723 funcionários, mas seu desempenho caiu 6,5% em relação ao exercício de 2015

Exemplo disso foi a criação da Petrobras, sob o slogan “O petróleo é nosso”, em meados do século 20. A estatal cresceu, internacionalizou-se e, em algumas atividades, se tornou referência mundial. No entanto, sua expansão não teve a segurança de implementar mecanismos que vetassem a intervenção dos governos e o resultado é o rombo investigado pela operação Lava Jato.

Outro exemplo é a Eletrobras Amazonas que, em 2016, faturou 836.8 milhões de dólares, tendo fechado o exercício com 1.723 funcionários, mas seu desempenho caiu 6,5% em relação ao exercício de 2015, informa o anuário Melhores e Maiores, publicado pela revista Exame.

Se o prejuízo da Eletrobras Amazonas foi grande – 1.45 bilhão de dólares – quase o dobro do valor de suas vendas em 2016, não deve ser deixado de lado o fato de que a empresa de energia é uma das empresas mais endividadas listadas pelo anuário, que registra dívidas equivalentes a 183,2% pela relação exigível sobre o ativo total.

Este fato, o desempenho que gera prejuízo à sociedade, não é do conhecimento da maioria da população, embora esta estatal também esteja na mira da Lava Jato.

Ao usuário dos serviços dessa companhia e de sua distribuidora de energia cabe, além do ônus de pagar tarifas altíssimas e ser obrigado a utilizar serviços sem qualidade, também contribuir, com tributos, para amenizar o prejuízo de sua má gestão, principalmente operacional, como bem o provam as falhas de fornecimento de energia que acontecem em Manaus com frequência e que, desde o fim de semana, se agravaram, principalmente na Zona Norte.

Vítima que sou, como tantos outros usuários, dos péssimos serviços, como a empresa demorar mais de seis meses para inspecionar e autorizar instalação bifásica, além de, vez por outra, ter equipamentos queimados, dada a irregularidade no fornecimento de energia. Desta vez, com pisca-pisca fora de época patrocinado pela Eletrobras Amazonas desde domingo, e que se prolongou por toda essa segunda-feira, 4, a perda foi pequena, apenas um roteador, mas o prejuízo de ficar sem poder trabalhar até trocar o equipamento foi é bem maior.

Por essas e por outras mais é que se deve privatizar a Eletrobras. Lembro que, quando a telefonia era estatal, havia filas de espera para comprar uma linha telefônica, a qual, aliás era vendida à prestação e em venda casada, pois o consumidor tinha que adquirir ações da estatal que administrava o segmento. Privatizada, além de acabar com um foco de empreguismo e corrupção, houve melhora nos serviços.

O petróleo, como se vê, não foi, não é e nunca será nosso – do povo – mas sim de quem se encastela no governo e por ali apronta suas maracutaias, o mesmo se pode afirmar da estatal de energia, então: Privatizem a Eletrobras!