Baixas expectativas

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Na última pesquisa sobre a produção industrial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na semana passada, o destaque, corroborando a máxima de que má notícia é que é a notícia, foi a queda superior a 14% no comparativo entre o mês de setembro e o mesmo mês do ano anterior das organizações que mantêm operações no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Bem menos substancial foi a queda na produção das indústrias incentivadas no comparativo entre setembro e agosto deste ano. Por ali, a baixa foi de 5,2%. Menos mau. No entanto, é de se registrar que em 2018 o desempenho das indústrias da Zona Franca de Manaus (ZFM) acumula, conforme o IBGE, expansão de 7,8%, performance que é reforçada pelo crescimento acumulado da atividade industrial em 12 meses, no Amazonas, superior a 8%.

Se o panorama no Amazonas parece nebuloso, os números relativos à pesquisa semanal do Banco Central (BC) – Focus -, traz algum alento nos indicadores garimpados junto aos agentes econômicos, bancos e consultorias, fechada na última sexta-feira, 9, e divulgada nesta segunda-feira.

As expectativas sobre o desempenho dos investimentos diretos no país, por exemplo, indicam que, de uma semana para outra, houve crescimento, passando de 67 bilhões de dólares para 68.5 bilhões de dólares, quando o horizonte é o presente exercício. Essa expectativa é ainda mais substancial para o próximo ano. Para aquele exercício, as expectativas garimpadas pela Focus indicam que a previsão de 70 bilhões de dólares cresceu para 72.5 bilhões de dólares.

Os preços administrados, que tiveram peso considerável no custo das organizações no exercício que se encerra, principalmente quando a questão se refere a insumos como combustíveis e energia elétrica – esta última teve reajuste superior a 14% neste mês de novembro – parecem ter papel menos oneroso a partir de agora. As indicações obtidas pela Focus são de que, em 2018, esses preços devem cair. Há quatro semanas a previsão era de expansão de 7,84%, reduzida para 7,48% nesta edição da Focus.

Para 2019, as expectativas sobre os preços administrados estacionaram, há quatro semanas, na casa dos 4,8%. Pode não ser o ideal, mas é bem melhor que os números prospectados para 2018.

De outro lado, enquanto o IBGE detecta desempenho real de queda na produção industrial, as expectativas colhidas pelo BC também não são das mais alvissareiras. Para 2018, a expectativa de crescimento, que era de 2,67% há quatro semanas, agora está em 2,22%. O mesmo vale para 2019, onde caiu de 3,24% para 3,04% na última semana.

Em que pesem expectativas indicando baixa na inflação medida pelo IPCA, que há quatro semanas era de 4,43%, para 2018, tendo caído para 4,23% na última semana, a evolução do produto interno bruto (PIB), na visão dos agentes econômicos entrevistados, se mantém estabilizada em 1,36%. O mesmo se pode dizer para o exercício de 2019, no caso do PIB, há quatro semanas na faixa dos 2,5%.

Por fim é de se registrar que as idas e vindas sobre a composição de ministérios, a redução do número de pastas anunciadas pelo presidente eleito também não tem contribuído para formar um painel mais estável para a atividade econômica, mesmo quando se considera que o mandato do novo governante só se iniciará em janeiro.

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PIB: Consumo das famílias cai pelo segundo ano consecutivo

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O Produto Interno Bruto (PIB) atingiu R$ 6,267 trilhões em 2016 e a sua queda percentual em relação a 2015 foi revisada de -3,5%para -3,3%. O resultado de 2016 decorreu de uma queda de 2,9% do Valor Adicionado Bruto (VAB) e de um decréscimo de 5,6% dos Impostos sobre produtos, líquidos de subsídios.

Os três setores econômicos mostraram quedas: agropecuária (-5,2%), indústria (-4,6%) e serviços (-2,3%). Com isso, o PIB per capita foi de R$ 30.548, com queda em volume de 4,1%).

O consumo das famílias, que representa 62,8% do PIB, caiu pelo segundo ano consecutivo: em 2016 (-3,8%) e em 2015 (- 3,2%). Por outro lado, a despesa de consumo final do governo cresceu 0,2% em 2016, após recuar em 2015 (-1,4%).

De 2015 para 2016, a taxa de investimento caiu de 17,8% para 15,5%, chegando ao seu menor percentual na série histórica iniciada em 1995.

Em 2016, o setor externo novamente contribuiu positivamente para o PIB, com as exportações subindo 0,9%, uma variação ainda positiva, embora menor do que os 6,8% de 2015. A queda nas importações (-10,3%) foi menos intensa que a de 2015 (-14,2%).

Pela primeira vez na série do Sistema de Contas Nacionais do Brasil – referência 2010, o setor empresas não financeiras mostrou capacidade de financiamento (R$ 20,7 bilhões).

Em relação às empresas do setor financeiro, o valor adicionado bruto teve crescimento nominal de 16,7% e alcançou R$ 423,4 bilhões. Contribuiu para esse resultado o aumento da Selic, que fechou o ano no patamar médio de 14,2% a.a, contra 13,5% a.a em 2015.

Essas e outras informações integram o Sistema de Contas Nacionais 2010-2016 – referência 2010, que agrega novos dados, mais amplos e detalhados, do próprio IBGE e fontes externas, além de atualizações metodológicas, que revisam os resultados divulgados pelas Contas Nacionais Trimestrais. Veja mais no site do IBGE.

Indústria (-4,6%) e serviços (-2,3%) e agropecuária (-5,2%) caem em 2016

A Agropecuária recuou 5,2%, após três anos consecutivos de crescimento. Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), condições climáticas adversas afetaram o desempenho de importantes culturas, como o milho e a soja, cuja produção recuou 24,8% e 1,1%, respectivamente.

Fonte: IBGE

Manaus acaba com fila preferencial para idoso

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O tamanho das filas destinadas a agilizar atendimento para idosos, gestantes e pessoas com deficiência em estabelecimentos comerciais levou a Câmara Municipal de Manaus (CMM) a aprovar lei abolindo esse tipo de artifício que deveria melhorar a vida dessas pessoas.

A informação é do presidente da CMM, vereador Wilker Barreto (PHS), ao afirmar, nesta quarta-feira, 7, durante a Tribuna Popular, que para substituir a lei anterior foi aprovado naquela casa legislativa texto legal criando a obrigatoriedade para que idosos, gestantes e pessoas com deficiência tenham atendimento preferencial sem a necessidade esperar em filas específicas. Em outras palavras, as pessoas com limitações físicas devem ser atendidas tão logo cheguem ao local.

Emendas impositivas

Barreto também afirmou, contando os dias e em clima de despedida do Legislativo municipal, que sai da casa com o sentimento de dever cumprido por ter sido durante sua gestão como presidente da CMM que foi implantado o sistema de emendas impositivas ao orçamento municipal. Wilker Barreto é deputado estadual eleito e assume assento na ALE-AM em 2019.

Conforme Barreto, já no orçamento de 2019, os vereadores poderão direcionar verbas para atendimento de necessidades da população, as quais deverão ser obrigatoriamente cumpridas pelo Executivo no exercício fiscal a partir do próximo ano.

Foto: Robervaldo Rocha/CMM

Contas públicas são espinho no sapato

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As expectativas econômicas captadas pela pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central, apontam melhorias em alguns dos indicadores monitorados, em que pese a disseminação, em segmentos da mídia, acerca de possível retrocesso no desempenho econômico do país. É evidente que tal possibilidade não pode ser descartada, mesmo porque, a partir de janeiro, o Brasil estará sob nova direção.

A dívida bruta do setor público está na casa dos 75% do PIB, enquanto o déficit primário anual ronda a casa dos 2%

No entanto, analistas econômicos veem que o potencial de o país voltar a ter um desempenho melhor, principalmente em relação ao crescimento do produto interno bruto (PIB), a partir da gestão do presidente eleito, é bem maior do que aquele que se poderia esperar com agenda estatizante e corporativista do candidato petista derrotado no segundo turno das eleições, que não via problema na atual situação fiscal do país.

Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV), porém, jogam um balde água fria sobre esse tipo de expectativa por considerar que o problema fiscal deve ser encarado com urgência, assim como um de seus componentes, a reforma da Previdência. É esse um dos setores por onde mais se amplia o déficit das contas públicas.

De acordo com o pesquisador Luiz Guilherme Schymura, da FGV, a dívida bruta do setor público está na casa dos 75% do PIB, enquanto o déficit primário anual ronda a casa dos 2%. Para Schymura, mesmo ao se considerar a magnitude dos valores envolvidos, esse patamar ainda é administrável, no entanto, adverte o pesquisador, se nada for feito a coisa vai pegar bem ali, em 2026.

A expectativa, caso a questão fiscal não seja encarada com a seriedade devida ou, mesmo que isso ocorra, mas entraves políticos no Congresso Nacional findem por barrar ou amenizar o grau de agressividade necessário em seu enfrentamento, é de que, em 2026, o déficit poderá atingir 3,6% do PIB. Dessa perspectiva, Schymura afirma que a dívida vai disparar e se tornará impagável. Não é uma visão de futuro muito otimista, logo se vê.

Para o cientista da FGV existem pelo menos quatro temas, politicamente incômodos, diz ele, que não podem ser adiados sob pena de que aquela visão do inferno – dívida impagável – se concretize. Assim, as questões relacionadas aos subsídios do diesel – atenção com a tropa de caminhoneiros -, a EC 95, relacionada ao teto de gastos, a norma que estabelece o reajuste do salário mínimo, assim como a política de correção dos salários dos servidores públicos.

Como se vê, as pendências que devem obter maior atenção da gestão que se inicia em janeiro de 2019 tem poder de fogo para manter uma agenda quente no Congresso Nacional, por um lado. Pelo outro, vai testar o poder de aglutinação de forças do novo presidente, além de também colocar em questão a factibilidade de seu discurso de campanha sobre a moralização do Estado brasileiro, a começar pela gestão pública.

É de se registrar movimentos que já vêm ocorrendo no campo político que podem dar um certo fôlego inicial ao novo governo, como a exclusão do PT do grupo que está sendo formado pelo PDT, PSB e PCdoB, por enquanto, para fazer oposição propositiva ao governo que se instala. Todavia, deixar o PT de escanteio não significa que o novo presidente vá ter flores pelo caminho, pois, até onde se sabe, há caminhões de espinhos para serem aparados a partir de janeiro.

Gráfico: Reprodução/Terraço Econômico

Boa sorte ao presidente Bolsonaro

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A campanha eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) traz novas rotas para se fazer política e principalmente, campanhas eleitorais. Essa nova rota deixou meios como rádio, TV, andanças pelas ruas e carreatas muito para trás, quando se trata da busca pelo voto dos eleitores. Sem falar na necessidade de um grande partido político, ou vários de menor tamanho, dando suporte à campanha e estrutura política ao candidato.

Campanhas eleitorais que eram feitas com somas milionárias, contratação de marqueteiros a peso de ouro e aplicação massiva de propaganda nas ruas, TV, rádio e meios impressos são práticas que ficaram no limbo e quem se apegou a elas colheu o preço da derrota nas urnas.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, gastou menos de 1,8 milhões de reais para conseguir a adesão de quase 58 milhões de brasileiros à sua candidatura. É um marco na história das campanhas eleitorais do Brasil. Do outro lado, conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Haddad teve despesas superiores a 34 milhões de reais com a “companheirada” que o apoiou.

Mas nem só de boas notícias vivem as campanhas eleitorais, tanto para os candidatos, quanto para eleitores.

Não foram poucas as amizades desfeitas, algumas vindas da infância, que se acabaram, foram postas de lado, foram literalmente deletadas com um clique no botão para desfazer amizades em redes sociais.

Se amigos, por razões políticas, desfizeram amizade de longas datas, os familiares também se prejudicaram em suas relações por motivos políticos. A mesma coisa parece estar acontecendo no meio político nesse momento em que o Brasil necessita de união entre todos os brasileiros, mas que parece ser coisa ignorada, principalmente por quem perdeu a eleição.

Tal assertiva é fundamentada, por exemplo, na atitude do ex-presidenciável petista, derrotado pelas urnas nas eleições de 2018. Fernando Haddad, ao falar na noite de domingo a seus apoiadores, foi claro ao dizer que os democratas o acompanhariam, que todos deveriam estar vigilantes, que a nação brasileira tem que ser resgatada e coisas do gênero.

Como dizem analistas políticos, o PT parece não ter aprendido nada, com tudo que aconteceu nos últimos anos em que este partido governou o Brasil.

O petista, ao dizer que o PT vai fazer resistência ao governo eleito pelo poder do voto dos brasileiros, ao questionar a prisão do líder maior do PT, que se encontra em uma cela na Polícia Federal de Curitiba, mostra que não há respeito nem pela justiça e muito menos pela democracia por parte de seu partido.

É esse tipo de atitude, esse tipo de apego ao passado, às coisas erradas, desonestas que foram feitas em nome da preservação do poder pelo partido do presidiário que fizeram Fernando Haddad perder as eleições para Bolsonaro, como bem afirmou o senador eleito Cid Gomes.

Não vai longe a constatação de que Bolsonaro não é, de nenhum modo, o candidato ideal para o Brasil, no entanto, o antipetismo, como todos sabem, é que deu fôlego, impulso às adesões ao candidato do PSL, o capitão da reserva Jair Bolsonaro, levando-o à Presidência da República a partir do dia 1º de janeiro de 2019.

Ao candidato e partido derrotados caberiam o gesto de boa vontade, aquele mesmo apregoado durante a campanha, de que governaria com a visão de fazer o que for bom, melhor para o país. Isso poderia ter começado ainda na noite de domingo, com um simples telefonema ao presidente eleito, se não para parabenizá-lo, pelo menos para lhe desejar sorte, algo que qualquer eleito para o cargo vai precisar, e muito. Porém os espíritos continuam armados, mesmo após a campanha e o fim da eleição.

Boa sorte ao presidente Bolsonaro.

Sem propostas, melhor desconstruir o adversário

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É possível que o eleitor brasileiro, nestas eleições, esteja enfrentando dificuldades como nunca antes aconteceu para definir seu candidato a presidente da República. Tal fato é agravado pelas pesquisas de intenção de voto que ora apontam para um lado ora para outro, sendo mais um fator a complicar a escolha do eleitor, sem falar em “mentiras sinceras” e outras nem tanto.

Se o poder de persuasão do político vinha  de sua oratória, de sua argumentação, agora o convencimento do eleitor é conseguido com mentiras ou meias-verdades

Se o eleitor busca novas opções em candidatos que no currículo pelo menos não tenham registros desabonadores, como aqueles que envolvem políticos com a corrupção e outras péssimas práticas relativas aos recursos públicos, a polarização que aí está findou por ofuscar algumas candidaturas que poderiam ser muito boas escolhas, mas que naufragaram no primeiro turno.

A busca de informações sobre os candidatos a qualquer cargo eletivo, com a finalidade de balizar o voto e escolher conscientemente o candidato que seja melhor, infelizmente não faz parte do processo de escolha da maioria dos eleitores. Para agravar essa falta de método ainda existe a cultura (?) em boa parte da população de pedir favores ao político que está em campanha na caça de votos.

Fica difícil, se não impossível, para esse tipo de eleitor exigir do candidato que não seja corrupto, quando só o fato de ser ficha limpa já é usado como se fosse alguma conquista por parte do político. Este “esquece”, convenientemente, que honestidade no trato com a coisa pública e na vida das pessoas é apenas o mínimo necessário para possibilitar o convívio em sociedade com alguma harmonia.

É no mínimo triste assistir às campanhas eleitorais como as vemos hoje. Primeiro pelo exército de disseminadores de notícias falsas que se apossaram das redes sociais e se dedicam a desinformar, a desconstruir as candidaturas rivais, seja a partir dessas tais fakes news, seja buscando fatos antigos para ‘’provar” que o candidato X fez isso ou aquilo, mesmo que  tal “fato” não tenha base na realidade. Entramos aí no contexto da pós-verdade, onde a “narrativa” tem mais força que o fato.

Se o poder de persuasão do político vinha, tempos atrás, de sua oratória, de sua argumentação, agora o convencimento do eleitor é conseguido com mentiras ou meias-verdades, o que dá no mesmo. Sem falar na omissão daquele que se recusa a participar de debates, por exemplo.

Já vi, em outra eleição aqui no Amazonas, uma personalidade política filiada ao PCdoB orando contritamente em uma igreja. Nestas eleições esse tipo de espetáculo oportunista ficou com o candidato indicado pelo presidiário nº 1 do PT. Foi a uma igreja católica e até comungou. Se fez a primeira comunhão não se sabe.

No caso dos dois candidatos que estão disputando o segundo turno para a Presidência da República, à falta de propostas novas para apresentar, se limitam – e olha limitação aí -, de um lado, a requentar programas que, já está provado, findam por levar o país a crises como a que vivemos atualmente, com imensos e incontroláveis déficits nas contas públicas. Do outro lado, também não se vê propostas alinhavadas de forma estratégica, com um objetivo a ser cumprido, mas apenas, digamos, amostras, do que poderá ser efetivado.

Independente das campanhas eleitorais e de quem será o próximo inquilino do Palácio da Alvorada, o Brasil caminha para a frente, aos tropeços, mas vai em frente. Dois fatos chamam a atenção nestas eleições. O primeiro é pouco se ouvir falar dos marqueteiros que antes ditavam os rumos da campanha a um custo astronômico. Para onde foram? Que por lá fiquem. O outro fato é o baixo custo dessas eleições, apesar da montanha de recursos públicos que foram disponibilizados.

O Brasil está mudando para melhor, devagar a gente chega a ser um país civilizado, de verdade

Disputas acirradas marcam primeiro turno das eleições

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O primeiro turno das eleições gerais de 2018 terminou no último domingo, dia 7, sem maiores surpresas, pelo menos no que diz respeito aos candidatos à Presidência da República e ao governo do Estado do Amazonas, a não ser pela inversão de posições dos candidatos Amazonino Mendes (PDT) e Wilson Lima (PSC).

O governador Amazonino Mendes, pleiteante à reeleição e também conhecido como Negão, tinha, no dia 5 de outubro, conforme pesquisa do Ibope, a preferência de 35% dos eleitores, enquanto o adversário mais próximo estava a uma distância de três pontos percentuais. Wilson Lima tinha, no mesmo dia, a preferência de 32% dos votantes.

Para quem acompanhou a apuração, o fato mais emocionante talvez tenha sido o rali de votos ao Senado Federal entre o deputado Luiz Castro (Rede) e o senador Eduardo Braga (MDB)

No entanto, o que as urnas mostraram e a apuração confirmou com o envio da decisão pelo governo estadual ao segundo turno é que Wilson Lima tem 33,73% dos votos válidos, jogando o Negão para correr atrás e transformar o prejuízo em vantagem nos últimos 20 dias de campanha até o último domingo de outubro, ali pertinho do dia das Bruxas, pois com a preferência de 32,74% dos eleitores a disputa até lá vai ser acirrada.

No panorama nacional não surpreendeu ninguém a confirmação da disputa pela Presidência da República ir ao segundo turno, embora a margem que as urnas deram a Jair Bolsonaro, com 46,03%, ante o petista Fernando Haddad, o qual obteve 29,28% dos votos válidos, coloque Bolsonaro a quase 17 pontos percentuais à frente do discípulo e consulente do agora presidiário nº 1 do PT.

O desempenho acima da expectativa de Bolsonaro repercutiu nos mercados nesta segunda-feira, dia 8, quando a B3, (ex-Bovespa) chegou a operar em alta superior a 4%, enquanto na outra ponta a cotação do dólar norte-americano caiu quase 3% antes do meio-dia.

Analistas de mercado veem com bons olhos a evolução do candidato do PSL, que também usufrui de expansão de sua bancada no Congresso Nacional. Esse fato, dizem os observadores, vai dar maior governabilidade a um eventual futuro governo de Bolsonaro.

Voltando às disputas políticas locais, é digno de registro a eleição do vereador Plínio Valério (PSDB) ao Senado Federal. Com mais de 834 mil votos, Plínio é senador da República pelo Amazonas e já se comprometeu em defender o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) em Brasília. Aliás, a ZFM perdeu um grande defensor com o fracasso da tentativa de reeleição do deputado federal Pauderney Avelino (DEM).

Para quem acompanhou ao vivo (ou quase, pois houve falhas na transmissão dos trabalhos) a apuração dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), talvez o fato mais emocionante tenha sido o rali de votos ao Senado Federal entre o deputado Luiz Castro (Rede) e o senador Eduardo Braga (MDB). Castro liderou praticamente toda a apuração e estava prestes a comemorar a vitória quando Braga, aos 96% da apuração, deu o troco e virou o resultado a seu favor. Ele se reelegeu com 607,2 mil votos, enquanto Luiz Castro sensibilizou 581,5 mil eleitores.

Outros dois políticos não conseguiram se eleger: Alfredo Nascimento (PR) buscava mandato de senador, e Vanessa Grazziotin (PCdoB) postulante à reeleição.

O eleitor agora vai aguardar a apresentação de propostas pelos candidatos ao governo estadual e à Presidência da República para definir seu voto, enquanto esses candidatos também vão correr atrás de compor apoio que lhes dê melhor desempenho no próximo round das urnas, no dia 28 de outubro

Novos ataques à ZFM contra incentivos à indústria de concentrados

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A briga pelos interesses dos fabricantes de refrigerantes que não têm operações na Zona Franca de Manaus (ZFM) teve pelo menos mais dois rounds questionando os incentivos dados pelo modelo às indústrias que optaram por instalar fábricas em Manaus com o objetivo de aqui produzir concentrado e, obviamente, usufruir dos incentivos previstos pela legislação que dá suporte ao Polo Industrial de Manaus (PIM).

Na última sexta-feira, 21, sob o título clonado de “Verdade inconveniente”, o articulista Antônio Corrêa De Lacerda emprestou sua pena para defender o que ele chamou de “corrigir uma importante distorção do nosso sistema tributário” e investiu a favor da manutenção, pelo governo federal, da alíquota de 4% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a incidir sobre a produção de concentrados pelas empresas sediadas no PIM.

Um dos argumentos utilizados no texto é o de que a alíquota de 20% gerava incentivo tributário “incompatível com a situação do país”, além disso, sem citar nomes, o articulista acusa indústrias produtoras de concentrado em Manaus de superfaturar os preços, tanto na compra quanto na venda do insumo, e assim aumentar indevidamente os créditos de IPI.

O outro petardo contra a indústria de concentrado local veio de fonte com menor visibilidade que o Estadão, até porque o prestígio que um dia o Jornal do Brasil (JB) desfrutou se perdeu ao longo das últimas décadas. Naquele veículo, nesta segunda-feira, 24, sob o título “A farra dos refrigerantes vai ao Supremo” em texto de Gilberto Menezes Côrtes, o ataque contra a Zona Franca de Manaus se concentra mais no posicionamento do governador Amazonino Mendes por ter procurado o Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa do modelo.

De acordo com o texto, a mexida que reduziu de 20% para 4% a alíquota do IPI sobre concentrados produzidos em Manaus não altera em nada a tributação “que já era nula com 20% e seguirá inócua na redução da alíquota para 4%.”

O fato, possivelmente novo para muitos, é a divulgação no texto de que o senador Tasso Jereissati (PSDB/CE) se aliou aos três senadores pelo Amazonas com a finalidade defender a manutenção da alíquota de 20%, também pleiteada pelo governo estadual em Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o decreto nº 9.394, de maio passado. O decreto foi a maneira encontrada pelo governo federal para substituir a perda de receita com os subsídios dados aos caminhoneiros que paralisaram o país com uma greve naquele mês.

Conforme o texto do JB, a aliança entre o senador cearense e os representantes do Amazonas no Senado Federal decorre do fato de que Jereissati, informa o texto, é o segundo maior engarrafador da Coca-Cola no país, com envasadoras que se espalham por 12 estados brasileiros. Esta informação teria sido repassada ao autor do texto no JB pelo presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), Fernando Rodrigues de Bairros.

Como se vê, mesmo a “eterna vigilância” que deveria ser preocupação constante, principalmente dos parlamentares no Congresso Nacional com o envolvimento dos demais, não está dando conta de manter os benefícios garantidos pela Constituição Federal à Zona Franca de Manaus afastados da mídia do Sudeste, a qual não se conforma só com aqueles que também usufrui por outras vias e programas.

A queixa de que a ZFM custa cerca de 24 bilhões de reais por ano é novamente requentada no material publicado, com ênfase na informação de que o setor de concentrados acumularia pelo menos 8 bilhões de reais em benefícios fiscais anuais. De outro lado, em nenhum dos textos é dito que o Amazonas arrecadou, em receitas a favor da União, 9,84 bilhões de reais entre janeiro e agosto deste ano, conforme dados da Receita Federal.

Eletrobras AM no ranking das mais endividadas

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O anuário Melhores & Maiores, publicado pela revista Exame, incluiu, na edição de 2018, dez empresas com operações no Amazonas, a maior parte integrante do Polo Industrial de Manaus (PIM). Em que pese a má conjuntura vivida pelo país em 2017, e no Amazonas em particular, há surpresas agradáveis a relatar, conforme apurado pela publicação da Editora Abril.

A indústria mais bem situada no ranking do anuário é a Samsung, que aparece entre as cinquenta maiores com faturamento estimado pela publicação, no exercício de 2017, de 5.72 bilhões de dólares. A empresa de capital coreano manteve a posição do ano anterior, isto é, permaneceu em 18º lugar entre as 500 maiores listadas por Exame.

A Eletrobras Amazonas aparece em dois rankings: no das companhias com os maiores prejuízos e entre as 20 maiores endividadas

Com menos da metade do faturamento da coreana, a atacadista Petróleo Sabbá faturou 2.24 bilhões de dólares, e seu bom desempenho a levou, da posição 93, em 2016, para 74 em 2017. Já no quesito lucro, a Petróleo Sabbá registrou mais de 62 milhões de dólares como resultado de suas operações no exercício passado.

Ainda no ramo atacadista a organização que demonstra um desempenho excepcional, conforme o anuário, é a Atem’s Distribuidora. A empresa faturou mais de um bilhão de dólares em 2017, com crescimento de 62% no faturamento. A distribuidora apresentou lucro de 32,7 milhões de dólares e subiu 122 posições entre um exercício e outro. Da posição 331, em 2016, assumiu a 209ª em 2017 e está entre as 250 maiores.

A Moto Honda, com faturamento de 1.65 bilhão de dólares em 2017, subiu da posição 112 para a 109 no ano passado, quando manteve 5.785 postos de trabalho.

No segmento de energia a estatal Eletrobras Amazonas aparenta estar sem potência para controlar seus custos. A companhia faturou 1.09 bilhão de dólares e subiu da posição 243 para a 185, entre 2016 e 2017, quando seu resultado negativo foi de 786 milhões de dólares em prejuízo que o contribuinte vai ser chamado a cobrir.

Participando do mesmo setor que a Eletrobras Amazonas, a Cigás aparece pela primeira vez no ranking das 500 Melhores & Maiores de Exame, já ocupando a posição 253. Com faturamento de 845 milhões de dólares, a companhia apresentou lucro de 19,6 milhões de dólares em 2017 e está entre as 300 maiores do ranking.

A Innova, que mantém operações no segmento de química e petroquímica, caiu da posição 313 para 327. A companhia faturou 673 milhões de dólares, com crescimento de 3,3%. O lucro registrado em 2017 foi de 47.7 milhões de dólares.

Na área de bens de consumo, a Arosuco caiu da posição 294 para 338 em 2017, com vendas de 647 milhões de dólares, o que representou baixa de 7,5% em seu faturamento se comparado ao exercício de 2016. A empresa registrou lucro de 79 milhões de dólares.

No mesmo segmento, a P&G, de capital norte-americano, faturou 626 milhões de dólares e também reduziu as vendas em 2,6%. Para piorar a situação, teve prejuízo de 147 milhões de dólares. Com a queda no faturamento, caiu da posição 315 para 348 em 2017.

Por fim, a Panasonic, de capital japonês, caiu da posição 412 para a 438 em 2017, quando suas vendas somaram 474 milhões de dólares.

O anuário Melhores & Maiores traz outras informações acerca do desempenho das empresas, tanto daquelas que integram o setor privado quanto as do setor público e aí a Eletrobras Amazonas se deu mal.

Enquanto a Atem’s Distribuidora aparece nos rankings das 20 empresas que mais cresceram e das mais rentáveis, a Arosuco integra outros três: das que distribuíram maiores dividendos, das menos endividadas e no da geração de riqueza por funcionário.

Do outro lado, a Eletrobras Amazonas aparece em dois rankings: no das companhias com os maiores prejuízos e entre as 20 maiores endividadas.

Apesar desses resultados, sem falar na qualidade do serviço, tem senador querendo mantê-la sob a gestão do Estado em prejuízo do cidadão, do contribuinte e de quem é forçado, pelo monopólio estatal, a comprar seus serviços.

País patina e candidatos só prometem

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A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o desempenho do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, divulgada na sexta-feira, 31, informa que houve crescimento de 0,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O estudo enfatiza que este é o sexto resultado positivo em sequência, o que sinaliza a recuperação da economia – embora lenta e gradual.

No entanto, no mesmo período, o desempenho da indústria caiu 0,6%, enquanto a agropecuária permaneceu estável e o setor de serviços cresceu 0,3%. O tombo maior identificado pelo IBGE foi a baixa de 1,8% na formação bruta de capital fixo (FBCF) – investimentos produtivos, grosso modo.

A análise mais positiva, conforme o estudo, é a que avalia os resultados da economia relacionando o acumulado de quatro trimestres comparados ao mesmo período do ano anterior. Os números aí registrados indicam que o PIB brasileiro cresceu 1,4%. O segmento agropecuário teve desempenho positivo de 2% e a indústria de 1,4%, mesmo patamar do setor de serviços. Os investimentos (FBCF) cresceram 2,6%.

O valor atingido pelo PIB é de um trilhão, 693 bilhões de reais, dos quais 1,45 trilhão de reais correspondem a valor agregado, além de 242,9 bilhões de reais em impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

A boa notícia nesse estudo é a expansão da taxa de investimento, a qual, informa o IBGE, atingiu 16% do PIB, que ficou acima da observado no mesmo período de 2017, que fora de 15,3%. Por outro lado, também um desempenho melhor da taxa de poupança, que ficou em 16,4% no segundo trimestre de 2018, enquanto no mesmo período de 2017 ficara em 15,7%.

Embora o IBGE informe desempenho positivo do PIB, a pesquisa semanal Focus, fechada no dia 31, sexta feira, indica que o mercado tem expectativa descendente quanto a este indicador no decorrer do presente exercício. Por ali, há quatro semanas, a visão era de que o PIB cresceria 1,5% em 2018, mas na última semana essa estimativa já caíra para 1,44%. Isto é, manteve a indicação da semana anterior.

A taxa de câmbio que, como se sabe, fechou o mês de agosto acima dos 4 reais, mantém expectativa de valorização da moeda norte-americana em relação ao real. Há quatro semanas, o dólar estava cotado em R$ 3,70, subiu para R$ 3,75 e fechou a pesquisa em R$ 3,80. As incertezas políticas e econômicas no país, assim como crises no exterior (Turquia, entre outros), contribuem para depreciação do real ante ao dólar.

Conforme a pesquisa Focus, os preços administrados, na visão do mercado, mantêm tendências de alta tanto em 2018 quanto para o exercício de 2019. Neste ano deve fechar em 7,2%, e no próximo, em 4,77%. Neste último caso, houve uma variação para baixo, passando de 4,80% para patamar atual.

Pelo estudo do Banco Central, outro indicador mantém curva descendente: a produção industrial, que caiu de 2,85% para 2,43% nas últimas quatro semanas, quando cenário é o desempenho em 2018. Para o próximo ano, esse indicador cai de 3%, para fechar 2019 em 2,89%.

Enquanto o país patina e a economia não se firma, os políticos continuam em campanha e, para variar, fazendo promessas e mais promessas, como foi o caso, nesta segunda-feira, quando até a BR-319 foi elevada a categoria de prioridade – e é – mas não do governo estadual, que tem muitas outras mais com as quais se preocupar e solucionar